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| Foto: Reprodução/Instagram |
Segundo a própria cantora, tal ato foi mais que uma exposição de privacidade. Na verdade foi um ato político. E isso ela deixou claro isso ao longo de sua trajetória profissional. Ela nunca viveu de escândalos e de fotos passeando em shoppings, exploração de dramas e tragédias pessoais, entre outras possibilidades usadas por celebridades e assessores de imprensa para a manutenção de um nome e de uma imagem.
Porém, além da importância política tem uma importância social contra o preconceito de Felicianos e Malafaias bastante significativa. Daniela já teve maridos, gerou dois filhos e adotou outros três. Além disso, é embaixadora da UNICEF Brasil desde 1995 por causa da sua atuação em defesa dos direitos da criança, do adolescente e da mulher. No mesmo ano ela participou de uma campanha ao lado da entidade contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Isso serve para mostrar que a orientação sexual não define valores além daqueles usados na hora do sexo e relações afetivas relacionadas ao ato. E só. Ao contrário da tese defendida por Feliciano e seus seguidores e correligionários, ser gay ou hétero não influi no índice de maldade e muito menos são, nas palavras de Feliciano, podres levando ao ódio, ao crime e à rejeição.
Tal podridão de sentimentos pode estar dentro até mesmo de heterossexuais frequentadores do culto de Feliciano, Malafaia e tantos outros. O ódio, a rejeição e o crime podem ser ações de qualquer pessoa, gay, hétero e até mesmo assexuada. Afinal, se ser gay é pregar tais valores, o grupo liderado pelo goleiro Bruno responsável pelo assassinato de Eliza Samúdio, seria formado por gays e lésbicas. Entre vários outros casos.
Tal podridão de sentimentos é inerente à orientação sexual. O ódio, a rejeição e o crime são alheios ao fato de um homem ter tesão em outro homem ou mulher, ou até mesmo em um travesti ou simplesmente não ter tesão em nada! A maldade não tem sexo, sequer orientação sexual. Da mesma forma a preocupação com o bem estar do próximo não segue as mesmas regras.
Entre os gays e os héteros há pessoas de toda a sorte: gente boa e ruim, gente cruel e caridosa, gente que doa e gente que tira sem nenhum remorso. Em contrapartida, e tão importante quanto sabermos disso, é termos em mente a existência de muitos Felicianos e Malafaias por aí: tanto entre os héteros quanto os homossexuais.
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Concordo. Há a possibilidade de a qualquer momento estourar uma nova Guerra Mundial e as revistas de maior circulação do país se preocupam com quem as pessoas se casam. Achei que a Caras era que fazia isso. Além disso, concordo novamente: se Malafaia é um exemplo a ser seguido, não quero viver nesse mundo. Da mesma forma, não quero viver num mundo em que ser gay é ser abominado, em que ser gay é chocar a sociedade. As questões vão além disso. É tal qual a discriminação entre raças. Não faz sentido. Mesmo que o ato da Daniela Mercury tenha sido político, não acho que é disso que a gente precisa. Mas enquanto qualquer coisa relacionado a sexo, que não for o famoso "papai-mamãe", mexer com o ego das pessoas, vamos ter isso. Só que ser gay vai muito além do sexo. Vai muito além de mulher beijar mulher, homem beijar homem. O imaginário coletivo acha tudo isso impuro. Mas até onde eu sei, amar as pessoas não é pecado. Disseminar as coisas boas é que deveria ser o mote do momento. Infelizmente, em todos os sentidos, não é. Seja na relação homoafetiva, na Coréia do Norte ou no preço do tomate.
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