POR EDMAR SOUZA*
A cena é conhecida: o discípulo acompanha o mestre até o local em que fará suas orações. Vendo que personagens alheios ao culto se aproximam e perguntam pelo líder do bando, o aprendiz se aproxima de seu senhor e com um beijo indica que seria aquele o que procuram. Tudo isso em Jerusalém, mas já fazem mais de dois mil anos. O líder chamava-se Jesus, o discípulo, Judas.
A cena ficou conhecida na última semana: um motoqueiro e seu comparsa na garupa de uma motocicleta se aproximam de três jovens, sentados numa calçada do bairro do Belém, em São Paulo.
Munidos de armas de fogo, os dois ocupantes descem da moto e ordenam que os jovens se virem de costas. Um deles consegue correr sem provocar qualquer reação no restante do grupo. É possível que tenha sido visto por polícias que estão dentro de uma viatura, parada numa esquina próxima.
Enquanto isso, tiros são disparados contra os outros dois que nem sequer tentam fugir. Os atiradores, tranquilamente, sobem novamente no veículo e seguem seu caminho. Na captura, da cena, não dos criminosos, é possível ver que uma viatura vai logo atrás, na mesma direção.
É difícil de acreditar, desde o início das imagens, passando pela fuga de um dos rapazes, a tranquilidade dos assassinos à passagem da viatura da polícia, tudo parece uma armação, montada para acreditarmos que aquilo foi um crime. Mas foi verdade. Os jovens morreram e suas famílias cobram explicações na Justiça. Um dos garotos era chamado de Piai, tinha 14 anos, o outro, de 18, por algum motivo não teve seu nome revelado.
Do garoto que foge, também inominado até agora, ninguém comenta nada. Nem a polícia, nem a reportagem. Ele sai tranquilo, como se tivesse a única função de apontar as vítimas, mas sai apressado como alguém da produção a atrapalhar o andamento das gravações.
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