terça-feira, 9 de abril de 2013

Tudo começou com Vargas


No início do século XX, o Brasil era um país de economia agrícola. As produções variavam conforme a região. O plantio do café e do algodão representou a base da economia nacional durante os primeiros 50 anos.

Essas produções ( café e algodão), que eram centradas no eixo Rio – São Paulo, careciam de mão de obra e o Estado começou a estimular as imigrações internas. Segundo Sueli de Castro Gomes, pesquisadora do Departamento de Geografia da USP, em seu artigo “Uma inserção dos migrantes nordestinos em São Paulo: o comércio de retalhos”, no ano de 1919 o governo do Estado de São Paulo “chegou a mandar uma missão para o Ceará, para recrutar mão de obra”.

Em 1932, Getúlio Vargas estabeleceu a cota dos dois terços. De cada três trabalhadores empregados na industria ou lavoura, dois deveriam ser brasileiros. “Com essa lei Vargas esperava resolver o problema do excesso de estrangeiros que trabalhavam no Brasil, diminuir as pressões demográficas na Região Nordeste e amenizar os problemas trabalhistas existentes no País”, conta Marcos Azevedo, professor de sociologia da Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC), de Salvador. Foi nesse período que teve início o processo migratório descontrolado.

Estima-se que no ano de 1939 ingressaram no Estado de São Paulo 100 mil nordestinos e mineiros. Houve uma queda nesse fluxo na década de 1940, em virtude de um novo ciclo extrativo da borracha na Amazônia.

Essa diminuição continuou em 1950, pois tanto a economia cafeeira declinou quanto as necessidades econômicas de São Paulo se transformaram. A economia não girava mais em torno da produção do café e do algodão.

Um estudo realizado pelo Centro de Estudos Migratórios faz uma síntese sobre a migração dos nordestinos, na qual registra que “a partir da década de 50, o fluxo de migrantes orienta-se fundamentalmente em direção às cidades, sobretudo para a Região Metropolitana de São Paulo”.

Apesar de tudo isso, de todo o histórico dos nordestinos construindo e desenvolvendo as regiões mais ao sul do país, ainda existem pessoas que alimentam esse preconceito separatista, como se não fossemos um só e único povo.

Ainda querem branquear a raça. São as mesmas pessoas que agridem negros e homossexuais. São pessoas que não percebem que, nossa força está na união.

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