quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A história da política na privada

Dois fatos recentes chamam a atenção. O primeiro faz referência ao caso Rosemary Noronha. De acordo com reportagem do dia 1º de dezembro do jornal Folha de S.Paulo, a grande influência dela no alto escalão do governo federal acontece pois ela teria uma “relação de intimidade” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O segundo aconteceu ontem (4) e também envolve o governo. A presidente Dilma Rousseff foi vaiada ao chamar as "pessoas com deficiência" de "portadores de deficiência" durante conferência em Brasília.

Em ambos os casos, postagens em redes sociais criticavam a atual presidente e o ex-presidente com associações absurdas, relacionando, no caso mais recente, tal visão a um preconceito com o Partido dos Trabalhadores. Nos dois casos, vários blogs pequenos, menores até que este espaço, republicavam textos de grandes sites noticiosos com comentários inflamados e absurdamente críticos.

Com a possibilidade de criar blogs de forma gratuita e com as redes sociais, todo mundo pode ter um espaço para reclamar e criticar. O sistema de comentários em portais de notícias também colaboram e cedem alguns caracteres para seus leitores interagirem com a publicação. Sem dúvida alguma isso é importante. Mas é importante saber sobre o que criticar e como fazer isso.

No primeiro caso, a aplicação do dinheiro público é o que deveria realmente importar. No Brasil, entretanto, cada vez mais parece que saber da vida alheia é tão ou mais importante que saber da própria realidade. Uma versão digital do sujo falar do mal lavado. No segundo caso, o desvio do foco da discussão chega a ser patético. A justificativa: o termo portador não remete a algo humano.

Na verdade pouco importa o termo e sim a política pública e a eficiência dela. O mesmo vale para o termo homossexualismo x homossexualidade. O primeiro deve sempre ser evitado por relacionar o fato de ser gay a algo patológico. E paro por aqui pois a lista de nomenclaturas que devem ser evitadas é imensa. Cada um se vale da subjetividade e define qual termo usar. E o problema parece ser justamente esse: subjetividade demais. Tanto que a discussão se perde em devaneios, propostas e ideias.

E enquanto perdemos tempo debatendo prefixos, sufixos, termos e especulando relações, o caminho do dinheiro público perde a importância e a violência moral e física começa a fazer parte do cotidiano, ganhando espaço das políticas de inclusão social, racial, sexual e tantos outros tipos que surgem a cada exposição de ideias.

E com tanto barulho que fazemos por nada, acabamos nos silenciando para o que realmente importa.

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