sábado, 14 de janeiro de 2012

Haiti: dois anos depois do terremoto

A última quinta-feira foi o aniversário do terremoto do Haiti de 2010, que matou pelo menos 223 mil pessoas, feriu pelo menos outras 300 mil e deixou 1,5 milhão desabrigadas. Dois anos depois, um terço dessas pessoas ainda estão sem moradia e vivem em abrigos de emergência, 4,5 milhões sofrem com a escassez de alimentos e possivelmente se alimentado com os biscoitos de barro. Além disso 60% da população está sem emprego.

"Té": biscoito feito de barro, água e manteiga / Marcello Casal Jr./ABr
Uma epidemia de cólera se alastrou pelo país. Pelo menos 500.000 haitianos já foram infectados dos quais 7.000 morreram. Um problema antigo, a falta de condições sanitárias, é o fator principal a tornar a doença, já controlada no mundo, um problema a mais para ser combatido.

Muitos haitianos saem do país e entram no Brasil a procura de trabalho. No ano passado, 4 mil haitianos entraram no país de acordo com o Ministério da Justiça. Pelo menos 1.600 deles já tiveram a situação legalizada. Logo que chegam, eles vivem em situação precária de habitação e de alimentação. Uma reportagem do JN No Ar mostra essas condições e mostra também que muitos empreiteiros preferem o trabalho dos haitianos, que chegam a ganhar R$ 25,00 por dia. O maior problema deles é conseguir o visto.


Em entrevista ao programa Entre Aspas da Globo News, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou que a intenção do Governo é regularizar a situação de todos e que irá conceder 100 vistos por mês para que eles possam trabalhar e ter acesso a todos os direitos civis. Esse número poderá ser revisto caso a demanda aumente ao longo do tempo.

Muito já foi feito ao longo desses dois anos, mas o desastre serviu como forma de mostrar o tamanho da calamidade que já existia no país antes do terremoto, intensificando questões como a fome e a miséria. "Dois anos depois, o país está em um estado lamentável. Fala-se em reconstrução, mas resultados não são vistos", afirmou à agência EFE a dirigente feminista Danièle Magloire. Autoridades e diversos grupos representantes da população estão em consenso e afirmam que a recuperação do Haiti deve ser empreendida de outra forma, para que os sinais sejam mais visíveis.

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