quarta-feira, 24 de abril de 2013

Medalhista olímpico também pede esmola no Brasil

Foto: Ricardo Bufolin

POR JULIANA VIEIRA*

Às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, o único medalhista olímpico brasileiro na ginástica artística, Arthur Zanetti, declarou ao programa Esporte Espetacular da Rede Globo, no último domingo, que pensa em competir por outro país nos próximos jogos olímpicos. O motivo é a falta de condições para treinamento pelo clube do atleta, patrocinado pela prefeitura de São Caetano do Sul.

Imediatamente, o Comitê Olímpico Brasileiro se pronunciou para dizer que o local, onde o ginasta treina, vai receber novos equipamentos para melhorar a estrutura e que o brasileiro não deixará de competir pelo Brasil. Segundo o COB, cerca de 500 mil reais foram investidos.

A pergunta que fica é se a melhoria oferecida pela instituição é pensando no bem-estar dos atletas brasileiros ou uma grande preocupação de não queimar a imagem brasileira e perder uma possível medalha, justamente, nas Olimpíadas que serão realizadas no Brasil.

Uma vergonha é um atleta da elite brasileira ter que ir à imprensa para reclamar da falta de investimento no esporte e só assim receber o mínimo de condições de treinamento, já que até a limpeza do ginásio é feita pelos atletas da cidade. Além do medalhista, outros ginastas brasileiros também passam dificuldade e terão que pagar com o dinheiro do próprio bolso para treinar e se preparar para os jogos. Diego Hypólito, Daniele Hypólito, Jade Barbosa, Sérgio Sasaki e Caio Campos foram demitidos pelo Flamengo e para manter seus treinadores e pagar os salários deles fecharam contratos de publicidade.

O fato é que bilhões de reais estão sendo investidos na construção de estádios, mas os esportistas brasileiros continuam sofrendo para manter o sonho de chegar aos jogos olímpicos e à Seleção Brasileira. Porém, do que adianta investir em infra-estrutura se nossos atletas não têm apoio para treinar e representar bem nosso país? A Copa do Mundo está aí, mas ainda faltam três anos para as Olimpíadas do Rio de Janeiro e três anos para o governo aumentar o investimento no esporte brasileiro.

Juliana Vieira é jornalista

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