POR PAULA LIRA*
Não tenho noção de espaço ou de
direção. Portanto, para mim, esquerda e direita é mais conhecida como para lá
ou para cá. Por enquanto, esse pequeno defeito, não causou grandes acidentes –
porque ainda não tenho carteira de motorista ou carro -. O espaço é um pouco
mais complicado, digamos que aquela cadeira ou aquele poste não estavam ali
ontem, então é certo que o cálculo da rota seja equivocado e um esbarrão, um
chute ou uma trombada boa – daquelas que te deixam com hematomas – sejam inevitáveis.
Se as coisas não insistissem em mudar de lugar todo dia, acredito que os roxos
nos braços e pernas seriam reduzidos.
A coisa é assim tão feia? Bom,
tem gente que simplesmente não acredita, e acha que é graça e logo diz sem
paciência: a direita é a mão que você escreve! Olha o preconceito, e se eu for
canhota como faz? Acontece que eu não sou canhota, mas tentar raciocinar em um momento
decisivo se deve seguir pela esquerda ou pela mão que escrevo não é nunca uma
boa ideia. Por isso, sempre prefiro o caminho do meio. “É só seguir em frente
toda vida”, diz minha vó, com o sotaque mineiro. Talvez minha falta de noção
tenha saído daí. Você já pediu informação para um mineiro? Ah é aqui
pertinho... E depois de 4 horas – num instantinho- andando no sol quente você
chega.
Como saber esquerda e direita é
difícil, seguir um GPS então para quem tem problemas de espaço e direção, “a
200 metros, vire a direita”, é uma piada! A melhor solução é pontos de
referência e um mapa onde seja possível contar as quadras, ruas e avenidas. “Vou
reto na avenida do Correio, conto 12 quadras e viro na calçada da farmácia”,
não tem como errar.
Pedir informação também é sempre
válido, porém isso depende do informante. Procuro escolher taxistas, senhoras
de idade ou jornaleiros, mas tem gente que insiste em me deixar ainda mais
perdida – você vai virar a primeira a direita, depois a segunda a esquerda,
depois que atravessar a avenida, segue na terceira a direita e vira esquerda e
esquerda -. Ok, simplesmente, eu vou parar na primeira a esquerda, na segunda a
direita, nunca vou ver uma avenida e vou virar direita e direita logo na
terceira a esquerda. Ainda não sei como, mas de alguma forma eu consigo chegar
ao meu destino, mesmo que tenha que refazer o caminho algumas vezes até
acertar.
Mas viver perdida e com hematomas
é algo que se pode conviver, não é assim tão ruim, porque às vezes, mas só às
vezes, pior não pode ficar. Mas para que isso não aconteça, tente ficar longe
de objetos cortantes, veículos motorizados
- ou melhor, qualquer tipo de veículo - , tente adiar ao máximo tirar a
carteira de motorista, com a desculpa de ser uma cidadã sustentável e consciente,
lembre-se de não mudar os móveis de lugar
e andar sempre com roupas acolchoadas e um mapa – não feitos por
cartógrafos,mas aqueles para colorir mesmo.
*Paula Lira é jornalista
*Paula Lira é jornalista

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