domingo, 28 de abril de 2013

Esquerda ou direta? Ah, segue reto...

POR PAULA LIRA*

Não tenho noção de espaço ou de direção. Portanto, para mim, esquerda e direita é mais conhecida como para lá ou para cá. Por enquanto, esse pequeno defeito, não causou grandes acidentes – porque ainda não tenho carteira de motorista ou carro -. O espaço é um pouco mais complicado, digamos que aquela cadeira ou aquele poste não estavam ali ontem, então é certo que o cálculo da rota seja equivocado e um esbarrão, um chute ou uma trombada boa – daquelas que te deixam com hematomas – sejam inevitáveis. Se as coisas não insistissem em mudar de lugar todo dia, acredito que os roxos nos braços e pernas seriam reduzidos. 

A coisa é assim tão feia? Bom, tem gente que simplesmente não acredita, e acha que é graça e logo diz sem paciência: a direita é a mão que você escreve! Olha o preconceito, e se eu for canhota como faz? Acontece que eu não sou canhota, mas tentar raciocinar em um momento decisivo se deve seguir pela esquerda ou pela mão que escrevo não é nunca uma boa ideia. Por isso, sempre prefiro o caminho do meio. “É só seguir em frente toda vida”, diz minha vó, com o sotaque mineiro. Talvez minha falta de noção tenha saído daí. Você já pediu informação para um mineiro? Ah é aqui pertinho... E depois de 4 horas – num instantinho- andando no sol quente você chega.

Como saber esquerda e direita é difícil, seguir um GPS então para quem tem problemas de espaço e direção, “a 200 metros, vire a direita”, é uma piada! A melhor solução é pontos de referência e um mapa onde seja possível contar as quadras, ruas e avenidas. “Vou reto na avenida do Correio, conto 12 quadras e viro na calçada da farmácia”, não tem como errar.

Pedir informação também é sempre válido, porém isso depende do informante. Procuro escolher taxistas, senhoras de idade ou jornaleiros, mas tem gente que insiste em me deixar ainda mais perdida – você vai virar a primeira a direita, depois a segunda a esquerda, depois que atravessar a avenida, segue na terceira a direita e vira esquerda e esquerda -. Ok, simplesmente, eu vou parar na primeira a esquerda, na segunda a direita, nunca vou ver uma avenida e vou virar direita e direita logo na terceira a esquerda. Ainda não sei como, mas de alguma forma eu consigo chegar ao meu destino, mesmo que tenha que refazer o caminho algumas vezes até acertar.

Mas viver perdida e com hematomas é algo que se pode conviver, não é assim tão ruim, porque às vezes, mas só às vezes, pior não pode ficar. Mas para que isso não aconteça, tente ficar longe de objetos cortantes, veículos motorizados  - ou melhor, qualquer tipo de veículo - , tente adiar ao máximo tirar a carteira de motorista, com a desculpa de ser uma cidadã sustentável e consciente, lembre-se de  não mudar os móveis de lugar e andar sempre com roupas acolchoadas e um mapa – não feitos por cartógrafos,mas aqueles para colorir mesmo.

*Paula Lira é jornalista

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