domingo, 7 de abril de 2013

Quando a vida de adulto começa?

POR PAULA LIRA*

Costumam (ou costumavam) dizer que nos tornamos adultos quando temos estabilidade financeira para nos sustentar, ou pelo menos era isso que nossos pais nos diziam para nos deixar sair de casa. Mas quem entre os 18 e os 21 anos, quando somos legalmente maiores de idade e “adultos”, tem estabilidade financeira? Ter uma carreira estável leva tempo, ter dinheiro suficiente para um casamento ou para comprar uma casa pode levar a vida toda. Os jovens, mesmo depois de formados (porque o mercado de trabalho não está fácil para ninguém), estão saindo cada vez mais tarde da casa dos pais. Por comodidade ou necessidade.

A verdade é que todas as responsabilidades como: ter sua própria casa; comprar móveis; pagar contas; sobreviver com as moedas no fim do mês; brigar no banco; ter um animal de estimação; decidir se o dinheiro será gasto para comprar comida ou pagar a academia, estão sendo adiadas, e com elas a sua vida de “adulto”. Venhamos e convenhamos, ela não tem se mostrado ser lá uma boa opção. Porém, mesmo com todas as pessoas com síndrome de “Peter pan”, se tornar adulto é inevitável e necessário para o crescimento. É uma etapa natural do ser humano e acredito que hoje em dia não tem hora para acontecer.

Talvez a gente se torne adulto depois do ensino médio, ou depois do exército, talvez depois da universidade, quem sabe depois de sair da casa dos pais, ou quando morar sozinho, há ainda a opção de quando finalmente alcançarmos o tão sonhado trabalho. Mas também podemos nos tornar adultos em nossa primeira consulta médica sem a companhia da mãe, quando aprendermos a dirigir ou até mesmo quando pagarmos nossa primeira multa.

Muito longe da estabilidade que nos prometeram, a vida adulta é cheia de responsabilidades, instabilidades, transições e mudanças. Não precisamos nos tornar ranzinzas e resmungões, só porque agora somos “adultos”, também não vejo a necessidade de deixar o tênis de lado para só usar salto alto ou deixar o cavanhaque crescer.

O início da vida adulta não pode ser definido pela idade, pelos fios brancos que insistem em aparecer no meio do curso na faculdade e muito menos por onde moramos. Já dizia Renato Russo em Pais e Filhos: “Eu moro na rua, não tenho ninguém/ Eu moro em qualquer lugar./ Já morei em tanta casa que nem me lembro mais./ Eu moro com os meus pais”. E também não vale esperar seus pais decidirem por você – a não ser que você já tenha passado dos 40 e não tenha tomado um rumo! “Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo/São crianças como você/ O que você vai ser, quando você crescer?”

*Paula Lira é jornalista

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