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| Obras no Maracanã continuam (Foto: Rafael Ribeiro / CBF) |
POR JULIANA VEIRA*
Se for preciso dar um chute sobre como vai ser a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, é possível dizer que não será muito parecida com o comercial do mundo perfeito da Coca-Cola. O entusiasmo da população brasileira, com certeza, será incontestável, mas os acontecimentos dentro e fora de campo podem não ser tão bons assim.
Falta um pouco mais de um ano para o início da competição e nenhuma cidade sede está perto de concluir as obras de infraestrutura exigidas pela FIFA. De maneira geral, todos os estádios devem ficar prontos para o mundial, mas as obras de mobilidade urbana e dos aeroportos podem não ser finalizadas em algumas capitais. Em Manaus, por exemplo, no ano passado, o governo desistiu de fazer as obras do monotrilho e do BRT, que tiveram problemas no processo licitatório e falhas no projeto, respectivamente.
Em junho, será realizada a Copa das Confederações em seis cidades e apenas três já finalizaram os trabalhos nos estádios: Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador. As que faltam (Rio de Janeiro, Brasília e Recife) devem entregá-los a tempo da competição. Aquele ‘jeitinho brasileiro’ de sempre deixar para última hora o que teve muito tempo para ser feito, mais uma vez, deve funcionar. E assim vão caminhar todas as obras até maio do ano que vem.
Tudo isso e sem falar da questão da segurança que, mesmo sem nenhum grande evento acontecendo, assombra grande parte da população brasileira. Nos noticiários, falam dos estádios, dos aeroportos e rodovias que estão sendo melhorados, mas, até agora, pouco se falou de como será o trabalho das polícias Rodoviária, Civil e Militar durante os jogos. O assunto fica ainda mais quente com os dois últimos fatos, que aconteceram no Rio de Janeiro. Um casal de estrangeiros foi assaltado, a mulher estuprada e, cinco dias depois, um grupo de nove alemães foram assaltados em uma van, às vésperas da Copa das Confederações. Seguranças privados e policiais passam por treinamentos para os dois campeonatos, mas o medo e a insegurança por parte dos brasileiros e turistas ainda é grande.
Não é preciso entrar na questão dos bilhões de reais que estão sendo gastos com todas estas melhorias para a Copa do Mundo, nem dizer que este montante poderia ser investido em outras áreas, como educação, já que o País enfrenta muitos problemas e ainda tem muito para evoluir, pois a realização de um evento deste porte trará muitos benefícios para a população, como o aumento do turismo e geração de emprego. Entretanto, a impressão é que, quando acabar a Copa, o sentimento dos brasileiros será parecido com aquele de quem promove grandes festas: muito dinheiro gasto, muito trabalho para produzir o evento, algumas horas de diversão e muita sujeira para limpar depois.
Depois de todo esse trabalho, o que o povo espera é que o presente venha de dentro do campo com a seleção brasileira de Luiz Felipe Scolari, Neymar e companhia, que, do jeito que anda, vai sofrer para responder às expectativas. Afinal, uma goleada contra a Bolívia não vale quase nada. O jeito é esperar e ‘haja coração’, diria Galvão Bueno.
*Juliana Vieira é jornalista


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