terça-feira, 26 de março de 2013

O "Dia do Fico" de Marco Feliciano

Está decidido: Marco Feliciano fica na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Um dia que será considerado histórico por ele e por seus seguidores/eleitores. Um "dia do fico", que nos remete ao dia que Dom Pedro I disse que ficaria no Brasil, contrariando as orientações da coroa portuguesa. Um dia que mostra a determinação do Deputado e também comemora a falta de critério: um homem com declarações racistas e homofóbicas colocado na presidência de uma comissão que combate aquilo que ele, com postagens em redes sociais, ajuda a promover.

Ironia e deboche por um lado. Tristeza e indignação por outro, principalmente para quem é alvo de seus comentários discriminatórios. Vitória para seus seguidores e eleitores, que apoiam sua permanência na Comissão e chegam a compará-lo com Jesus Cristo.

O fato é que Feliciano continua na CDH e as manifestações não devem parar, pelo menos nas próximas semanas. O presidente da Câmara convocou reunião para discutir a decisão do PSC de manter o deputado na presidência da CDH. Feliciano continua calmo, sereno e diz que não sai. Exceto se morrer. Ato que, como já foi lembrado aqui no jonatas.com.br, lembra o de Getúlio Vargas antes de cometer o suicídio.

Não que Feliciano vá terminar da mesma forma, isso vai contra os princípios religiosos que ele segue. Mas a frase mostra determinação e segurança, que ele está decidido a enfrentar a oposição à sua permanência. Decidido a enfrentar LGBTs, artistas, e quem quer que seja para ficar na presidência da CDH.

Ele sabe que isso arranha sua imagem junto à oposição mas sabe também que seu nome diante dos eleitores e seguidores sai fortalecido, condição mais importante que a primeira pois pode garantir reeleição em 2014. Sua linha de pensamento busca se justificar pela Bíblia, forma clara de agradar o eleitorado que o elegeu e de olho em possível candidatura em 2014. Além disso, denúncias envolvendo estelionato ajudaram a deixaram a imagem do deputado ainda mais questionável.

Porém toda essa dramaticidade ao alegar que era perseguido por ser cristão e que iria ficar no cargo a qualquer custo parece chega a ser mentirosa. Não é por ser cristão ou evangélico que ele está sendo questionando como presidente da Comissão de Direitos Humanos. Nas palavras do jornalista da Revista Carta Capital Matheus Pichonelli, isso acontece pois
(...) um líder na Câmara, de qualquer comissão, pode ser cristão, judeu, budista, agnóstico. Só não pode ser desonesto. E desonestidade não é só empregar no gabinete funcionário fantasma. Ou ser acusado de estelionato. Ou reclamar quando algum fiel de boa fé entrega um cartão de crédito sem a senha. A desonestidade intelectual é a mais danosa das agressões praticadas por quem tenta criminalizar grupos vulneráveis com sofismas e trilha sonora de terror.
Falta a Feliciano um entendimento sobre sua real função de presidente na CDH: ele não deve ofender, muito menos dar declarações que coloquem em xeque seu cargo e demonstrando preconceito contra aqueles pelos quais deveria trabalhar para garantir direitos mesmo Caso contrário a CDH perde seu sentido.

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