Acabou a farra! Agora as redações do Exame Nacional do Ensino Médio com notas muito altar deverão passar por pente fino para evitar os erros que foram divulgados na semana passada. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi além e disse que redação com 'gracinhas' vai valer nota zero. Além disso, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira estuda a possibilidade de anular redações com trechos que venham a ser considerados "deboche", como o candidato que afirmou ter redigido redação no ENEM com hino do Palmeiras e ter tirado 500 pontos.
É preciso regras mais duras para a correção do exame. A prova é válida como vestibular em várias instituições e precisa de condições que não ponham em xeque a qualidade e seriedade do processo, abalado por causa de várias falhas como os vazamento de questões em 2009, 2010 e 2011.
Conversei com a professora de redação Luciana Santos Legnaioli e ela foi taxativa: considera um absurdo que alunos fujam do tema da prova colocando trechos de receitas e hinos. "Os avaliadores ainda dizem que, em partes, houve um certo cumprimento ao que foi solicitado, quanto à estrutura do texto. Mas, e o tema? Quer dizer que dar uma receita ou falar sobre o hino de um time de futebol, agora, tem a ver com imigração?", questiona.
Perguntei a ela se, no que diz respeito à estrutura dissertativa, o hino de um time de futebol e a receita de macarrão instantâneo podem ser considerados contrário ao edital da prova. E a resposta foi clara: um texto dissertativo pede argumentação e uma posição do candidato em relação tema proposto. "Será que isso caberia à receita de miojo? Você argumentar a maneira como se faz o prato? Acredito piamente que não! A mesma coisa com relação ao hino do palmeiras. Realmente, os textos foram muito mal avaliados", diz.
Em sala de aula, Luciana diz que a primeira coisa que avalia é justamente a questão da estrutura do texto. "Em caso negativo, nem continuo a correção, pois cada texto é um texto, com sua característica própria. Para mim ou segue o que é solicitado ou não", explica.
Luciana finaliza com um desabafo. Ela diz que é preciso um olhar cuidadoso com a educação no Brasil. "É triste pensar que, a cada ano, temos mais e mais pessoas saindo da escola ou mesmo das faculdades, sem o preparo necessário para entrar no mercado de trabalho. Basta ver os erros horrendos, que acompanhamos através dos meios de comunicação, que ocorrem na área da medicina, da engenharia e tantas outras", finaliza.
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