quarta-feira, 20 de março de 2013

Marco Feliciano: reivindicações feministas estimulam o homossexualismo

Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minorias
Foto: Alexandra Martins / Câmara dos Deputados
No "O Globo" hoje:
Em entrevista para o livro “Religiões e política; uma análise da atuação dos parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil”, ao qual O GLOBO teve acesso, o deputado critica as reivindicações do movimento feminista e afirma ser contra as suas lutas porque elas podem conduzir a uma sociedade predominantemente homossexual.

“Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos”, diz ele na página 155, em declaração dada em junho de 2012.
São tantos os pontos contraditórios nessa fala que fica difícil dizer qual o mais absurdo. É cada vez mais insensata a cruzada que esse pastor trava contra homossexuais e, com a divulgação desta declaração, contra as reivindicações feministas.

Porém, absurdo maior é ele fazer parte da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara. Ele hoje ocupa esse cargo por interesses partidários e eleitoreiros e não dá para fazer política com base apenas nisso. A CDH existe para garantir o direito de ser quem se é. Porém, basta ser minoria para ser vítima de ataques do Feliciano em redes sociais, entrevistas, vídeos e pregações.

Além disso, Feliciano se mostra despreparado para tal cargo. Falta argumentação. Sua linha de pensamento gira apenas em torno da agressão verbal, da dramaticidade ligada à perseguição que sofre por suas declarações polêmicas, da comparação com a figura de Cristo, afirmando que seu sofrimento é por ser Cristão e por defender a família a todo custo.

Cego intelectual que é, chega a afirmar que no meio homossexual há crimes, ódio e degradação familiar. Ele esquece que no meio heterossexual o quadro não é diferente. Ele esquece, ou faz questão de não lembrar por puro interesse eleitoreiro, que a maldade não tem orientação sexual.

Um homem assim na presidência da CDH é um ataque ao bom senso e à lógica. Soa até como deboche.

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