domingo, 27 de janeiro de 2013

Incêndio na casa noturna em Santa Maria (RS): uma tragédia com muitas dúvidas e apenas uma certeza

Foto: Fernanda Bona/Divulgação Boate Kiss
Entre tantas histórias sobre a tragédia em Santa Maria (RS), uma coisa assusta: no meio da confusão os seguranças da casa noturna Kiss os seguranças exigiam que as pessoas pagassem a comanda antes de sair do incêndio. É deplorável sabermos que na hora da tragédia o dinheiro seja mais importante que o fato de salvar vidas.

O que ocasionou esse drama para centenas de famílias com mais de 230 mortos e dezenas de milhares de parentes e amigos de luto será levantado com as perícias e análises, mas a falta de preocupação com as vidas que estavam lá dentro já se mostrou nas atitudes dos seguranças, de acordo com os relatos de vários sobreviventes.

Se eles foram treinados ou não para esse tipo de situação é uma discussão a parte. Deveriam ter sido, talvez não foram ou talvez tenham sido de forma um pouco mais mercenária e visando não o bem estar, mas o lucro. Ou seja: eles faziam a segurança da conta bancária do estabelecimento e não dos frequentadores. Deveria ser o contrário.

Depois de algum tempo, quando os seguranças perceberam que realmente havia fogo os profissionais começaram a liberar a saída e outro problema apareceu: o local tinha apenas uma saída e o acesso à ela era difícil por causa de uma grade de proteção. Não tinha saída de emergência. Porém, quando o assunto é segurança, não dá para esperar algo acontecer e só então agir. É preciso prevenir!

E quando quem estava dentro da casa noturna conseguiu sair, outro perigo surgiu: guiados pelo instinto de sobrevivência, quem estava dentro do local tentou fugir e pisotear as pessoas que caíam durante a fuga. Uma cena assustadora que remete a filmes que retratam grandes tragédias.

Foto: Germano Roratto/Agência RBS
Outro fato relatado por Taynne Vendrúsculo, estudante que estava dentro da casa noturna, também causa estranhamento: a banda usava efeitos pirotécnicos dentro de um ambiente fechado. Neste caso não dá para dizer que uma irresponsabilidade é parte do show assim como não dá para dizer que colocar vidas em risco é expressão artística ou parte do show.

Não dá para dizer que mais de 230 mortos é parte de qualquer show. Não dá para dizer que dezenas de milhares de olhos com lágrimas por causa da perda de um parente ou amigo faz parte de algum show.

São muitas as questões a serem investigadas em relação a essa tragédia. E no meio de tantas dúvidas e incógnitas, apenas uma certeza: as dores são maiores que qualquer coisa e as perdas são irreparáveis.

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