O cineasta Cláudio Assis disse que o cinema brasileiro sofre com o problema falta de distribuição. E isso é bastante perceptível quando vemos bons títulos que são produzidos, mas a obra fica praticamente inédita pois não chega aos cinemas, televisão e nem é comercializada. São vários os exemplos e um deles é o genial Corpos Celestes que ficou restrito a algumas salas e festivais.
Tão importante quanto os investimentos que ajudam na produção, é necessário se ater à distribuição. Não basta produzir boas obras, contar boas histórias sem fazê-las chegar ao espectador. E ter uma rede de distribuição eficaz é a única forma de garantir que um produto chegará ao consumidor final. Sem isso, a possibilidade se sucesso é nula.
Conversei com Jefferson Parreira, estudante de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, e ele comentou que os incentivos do governo não focam essa etapa tão importante, a distribuição, e que é a responsável por disseminar e mostrar o trabalho ao público. "Na última década, houve um crescimento de recursos federais e de leis de incentivo destinados à apoios e fomento para o setor audiovisual, mas em grande parte esses recursos contemplam a fase de produção das obras", disse.
E onde vão parar as produções? Ninguém sabe. "O destino dessas obras em sua maioria é incerto, tendo em vista que não chegam ao grande público por via das salas de cinema e exibições nas televisões. Uma forma de tornar acessíveis essas obras é por meio de festivais e mostras de filmes", explica.
O problema interfere até no trabalho de grandes profissionais. "Mesmo diretores premiados em diversos festivais acabam não ganhando espaço para que seus filmes sejam exibidos ao grande publico. O Som ao Redor, filme de Kleber Mendonça Filho, conseguiu se destacar nos festivais e vem ganhando força, ocupando salas de cinema, mesmo que ainda de forma pontual. Mas é um entre vários filmes. Ele recebe a competência de representar aqueles irmãos, que compartilham das mesmas estéticas, que vem sendo propostas durante esses anos", explica.
E assim, fazer cinema no Brasil pode se tornar uma utopia para quem não está associado a grandes empresas responsáveis por produzir as obras. "Se para o produtor audiovisual, a exibição já é grande entrave, falar em distribuição desses filmes que não pertencem às grandes produtoras e estão fora do circuito comercial, é falar em utopia", finaliza.


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