Esportes olímpicos

Mesmo com medalhas e reconhecimento, esportista olímpico também tem que pedir esmola para conseguir treinar no Brasil.

Salve Jorge

A novela de Glória Perez ainda sofre com a saudade de parte do público das aventuras e brigas de Carminha e Nina em Avenida Brasil.

O dia em que o metrô sorriu

Era daqueles dias em que se está pronto para matar ou morrer, tudo para conseguir um espaço, um assento ou uma passagem.

Biografia definitiva?

As pedras do meio do caminho, vividas pelo biografado, são instantes que a vida capta e transpõe para ações possíveis de serem contadas.

Demissões de jornalistas

Ninguém quer perder uma equipe de profissionais competentes e alguém tem que fazer o papel de advogado do diabo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O dia em que o mundo não acabou mais uma vez


O fatídico dia 21 de dezembro de 2012 chegou, passou e nada aconteceu. E não foi dessa vez que o mundo acabou mais uma vez. Na verdade essa foi apenas mais uma profecia de fim de mundo que não se concretizou. Sempre surgem profecias apocalípticas referentes ao fim dos tempos e ao julgamento final bíblico.

A revista Time fez em 2011 um top 10 com as falsas profecias do fim do mundo. O jornal português Diário de Notícias fez uma compilação bastante interessante delas em maio de 2011 e que, apesar da data de publicação, se mostra oportuna e, portanto, reproduzo abaixo:
Uma das mais conhecidas, diz a revista norte-americana, é a de William Miller. Em 1840, começou a dizer que o mundo ia acabar e Cristo regressaria, prevendo um grande incêndio entre 21 de Março de 1843 e 21 de Março de 1844. Quando a data passou, disse que afinal era até Outubro. O fim nunca chegou, mas os seus seguidores formaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Esta também não é a primeira vez que Camping erra a previsão. Antes, tinha estabelecido a data do fim do mundo como sendo 6 de Setembro de 1994. As suas previsões são sempre baseadas em cálculos a partir de acontecimentos da Bíblia.

A profecia de 2012 já fez correr muita tinta. Baseia-se no calendário maia, que termina a 21 de Dezembro de 2012. Mas há também quem acredite que no próximo ano a Terra vá colidir com um planeta, apelidado Nibiru, ou ser sugada por um buraco negro.

Outro profeta norte-americano foi William Branham, da igreja pentecostal. Depois de dizer que recebeu a visita de sete anjos, em Fevereiro de 1963, indicou que o fim do mundo seria em 1977. Mas não viveu para assistir a esse dia. Morreu em 1965, depois de um acidente de carro.

A lista da 'Time' continua com os anabaptistas de Munster (protestantes alemães) do século XVI e segue com uma série de livros sobre profecias do fim do mundo. Lembra ainda o famoso Y2K (segundo o qual todos os computadores seriam destruídos na passagem do milénio) e a seita Branch Davidians, da América dos anos 1990.

Finalmente, a revista recorda todas as falsas profecias das Testemunhas de Jeová, que agora se limitam a dizer que o fim do mundo está para breve sem estabelecer data, e o grande incêndio de Londres de 1666, sendo que "666" é o "número da Besta".
A lista, na verdade, é imensa! Um texto do jornalista e escritor Gilberto Schoereder publicado em uma revista no ano de 2008, mostra que essa história começou cedo, no ano 30 e de lá para cá várias histórias surgiram "profetizando o fim do mundo". E são apenas alguns exemplos.

Após o fiasco de 2012 a próxima é em 2029, quando a Terra deve se chocar com um asteróide. Ou seja, temos ainda uma "sobrevida" de 17 anos: tempo suficiente para novas teorias surgirem e novos finais apocalípticos serem anunciados! E se 2029 fracassar, os apaixonados pela teoria do armagedom profético não precisam se preocupar pois em 2060 tem mais um, dessa vez previsto pelo físico Isaac Newton.

Isso, é claro, se o mundo existir até lá pois ele pode acabar no meio do caminho e sem avisar ninguém!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Governo prorroga IPI mais uma vez: agora vai até junho de 2013

Boa notícia: o governo prorrogou mais uma vez a alíquota mais baixa do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis, automóveis, e itens da chamada linha branca como fogões, geladeiras, máquinas de lavar e tanquinhos. A isenção venceria em dezembro de 2012, mas foi prorrogada por mais seis meses, até junho de 2013. Até lá, o IPI será aumentado gradualmente até atingir novos patamares, em alguns casos menores que o original.

De acordo com dados do Ministério da Fazenda, a medida fará o governo vai deixar de arrecadar R$ 2,63 bilhões em 2013, sendo que R$ 550 milhões só na linha branca e, no caso dos móveis, R$ 650 milhões.

Na prática significa dizer que comprar os itens listados continuará mais barato, pelo menos até junho. Em alguns casos, o preço aumenta. Ou seja, quem pretende trocar eletrodomésticos da linha branca, carros e móveis deve se apressar e aproveitar as liquidações de janeiro.

Por outro lado, a redução do IPI foi uma das medidas mais acertadas da política econômica em 2012. Ponto para a Dilma. Promoveu a manutenção da economia, permitiu que fábricas realizassem contratações e, o que é melhor, economizou de energia pois equipamentos antigos foram trocados por mais novos que gastam menos eletricidade.

Isso é bom principalmente para o consumidor, que efetivamente é o responsável por paga a conta. Sempre.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Compras de fim de ano exigem cautela

Chega o fim de ano e o espírito natalino ajuda a aumentar a bondade. E também as dívidas. São vários amigos secretos, presentes para a família, itens para a ceia, viagens, sem deixar de lado a roupa nova e sapatos novos para o ano novo.

Para os amigos mais chegados, presentes melhores e mais caros. E nessa seleção mora um perigo! Ao invés de gastar o que tem naquele momento, muita gente empurra a dívida para o próximo ano e parcela a lembrança em 10, 12, 18 vezes. Ou seja: até o próximo Natal ela estará com um compromisso mensal inadiável que pode se somar a outros e acabar complicando a saúde financeira individual e até mesmo familiar.


O Serasa Experian faz um alerta: é melhor ter cautela e planejamento para que o consumidor não comprometa ainda mais a sua renda, evitando assim o superendividamento. Segundo a entidade, acumular dívidas envolve maior incerteza no futuro e perigo de perder o controle do que tem a pagar. Assim, evitar prazos longos de financiamento é uma saída inteligente. Pode até parcelar, mas não a perder de vista.

Outra dica é pesquisar preços, condições e ficar de olho nas famosas promoções e liquidações de janeiro, principalmente naquelas que começam de madrugada e são realizadas com o intuito de limpar estoques. Os descontos são atrativos no período e alguns itens novos para a casa como geladeira ou televisão, por exemplo, podem esperar um pouco. Nesse caso, se o consumidor optar por um parcelamento de médio ou longo prazo o importante é planejar o pagamento para evitar sustos.

Afinal, cautela na hora da compra e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Brasil registra "black friday" de mentirinha

No Brasil é comum o lançamento de versões de qualidade duvidosa de alguns modismos estrangeiros. Isso acontece em diversos mercados e o mundo da música teve um exemplo recente com a versão do Latino para a canção Gangnam Style.

E parece que essa mania de copiar e adaptar chegou ao varejo. Ao ser convertido para uma versão brasileira, o conceito de Black Friday, que poderia ser chamada de sexta-feira negra,  também foi adaptado. Ao invés de descontos, tivemos maquiagem. Todo mundo achou que estava fazendo um bom negócio, mas não foi bem assim.

A campanha virtual prometia descontos de 40% a 50% e aconteceu no dia 23 de novembro, mas a redução dos preços não foi sentida. As reclamações nas redes sociais eram de preços iguais aos praticados nos dias anteriores e, o que é pior, reajuste nos valores dos itens. Agora, mais do que reclamações são os números que comprovam que a sexta-feira negra não foi tão escura assim.

Uma pesquisa feita pelo Programa de Administração de Varejo (Provar) aponta aquilo que muita gente viu na prática e comentou pela internet. Foram analisados 1728 produtos e quase metade deles, ou 47,5%, não teve nenhuma alteração no preço. Nem antes, nem depois da "black friday".

Além disso, alguns valores subiram 8,5% nos dias 21 e 22 de novembro e o dia da prometida promoção registrou alta de 0,06% na média. A pesquisa conclui também que não é possível afirmar que houve de fato uma promoção que seguisse à risca a proposta da Black Friday.

Ou seja, tivemos "black friday" de mentirinha. Tanto que na ocasião sete redes varejistas foram multadas pelo Procon Mas a mentira tem perna curta e foi desmascarada por internautas horas depois de começar, e agora um órgão de pesquisa aponta o mesmo. Só resta saber se a black friday brasileira vai continuar a existir e ser negra apenas para os bolsos de quem compra.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O comércio eletrônico no Brasil em 2012

O Natal para o comércio virtual deve ser gordo. A estimativa é que o setor fature R$ 3,76 bilhões em 2011, aumento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado de acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

E os números não param por aí. A previsão do e-bit, empresa que estuda o setor, é que as lojas virtuais faturem R$ 22,5 bilhões em 2012. Além disso, dados da consultoria Mckinsey & Company aponta que a internet representa entre 2% e 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) de países como Brasil, Argentina e México.

A principal vantagem de comprar pela internet não são apenas os preços que, em alguns casos, são menores que as lojas físicas, mas sim a facilidade na comparação de preços. Mesmo sem usar sites especializados nesse serviço, é possível descobrir o valor de um determinado produto em várias lojas em poucos minutos. Ponto para as lojas virtuais.

Entretanto, o maior problema das lojas virtuais é a entrega. Após comprar, o consumidor precisa esperar alguns dias para ter o produto. No caso de móveis, eletrodomésticos e outros produtos de grande porte é até compreensível, mas no caso de livros, CDs, DVDs e até aparelhos celulares, tablets, entre outros, o sistema de entrega poderia ser um pouco mais eficiente. Um amigo relatou que certa vez esperou 20 dias para ter um livro em casa após comprar na internet. Ele justificou a compra pelo desconto: cerca de 50% em relação às lojas físicas.

Por causa disso, quem vai comprar os presentes de Natal pela internet deve se apressar: considerando os imprevistos como atrasos e demais problemas na hora da entrega, o prazo máximo para evitar sustos e ter o presente em mãos no dia 24 de dezembro é sexta-feira (14).

sábado, 8 de dezembro de 2012

A Nokia e o mercado de celulares inteligentes

Quando a Nokia anunciou sua parceria com a Microsoft, o mercado se assustou. A Nokia, até então uma gigante em decadência na telefonia móvel, colocou suas fichas em um sistema novo: o Windows Phone 7.5. Surpresa aqui, espanto ali, desdém e piadas entre os apaixonados pela maçã e entre os fanáticos pelo robozinho verde.

A estratégia deu certo, mas só para a Microsoft que viu o número de usuários de seu sistema aumentar. Do lado da Nokia, a realidade é outra: a empresa, entre outras coisas, teve prejuízo financeiro na casa dos bilhões de dólares, perdeu mercado para a Samsung, demitiu funcionários e vendeu a sede na Finlândia, passando a morar de aluguel no prédio que um dia foi dona.


Stephen Elop, atual CEO da Nokia, ainda não conseguiu tirar a empresa do buraco e aumenta a pressão para que ele apresente bons resultados com a aliança estratégica com a Microsoft, o que é natural. Tal pressão pode significar a queda de Elop no médio ou longo prazo. O que também seria natural.

O que falta é a Nokia entender que seu nome é um grande ativo, apesar de arranhado em virtude dos últimos resultados negativos. A empresa já afirmou que tem planos caso a parceria com a Microsoft não vingue. Será que se isso acontecer finalmente veremos um Nokia com Android? A expectativa para isso é grande, os fãs de Nokia já tiveram contato com o robozinho e viram os potenciais do sistema. E muitos se apaixonaram e estão hoje vivendo em outros braços, principalmente no da Samsung.

Um aparelho Nokia com Android seria bastante significante no mercado. A empresa é reconhecida por seus usuários por fabricar celulares potentes, com bom hardware e isso ajudou a finlandesa a ganhar mercado na época do Symbian. O mundo ainda está polarizado entre Android e iOs: um é questão de status e o outro é por estar associado com uma gigante grife tecnológica. Essa importância faz até os vendedores dividirem os aparelhos entre com e sem Android. Estratégia de marketing? Talvez.

A união de um hardware potente com uma grife poderosa seria positiva para todos os envolvidos. E aqui e ali os fãs da Nokia comentam sobre essa possibilidade. Seria um sonho para muitos. Os celulares da Samsung são muito bons em vários aspectos, mas ainda falta uma experiência de usuário que só a Nokia soube oferecer desde sempre. Ou seja, falta ter um celular que seja fácil de operar e amigável para todos usuários em vários sentidos.

O Windows Phone tem potencial, mas os desenvolvedores ainda não se mostram entusiasmados. Isso atrapalha a evolução do sistema, impedindo de ganhar mercado. Os aplicativos fazem todo o diferencial. O iOS está presente em apenas um smartphone e no mundo tem mais mercado que o Windows Phone, tudo porque o primeiro tem uma loja mais robusta que o segundo. E a Nokia só arriscou a usar o novo por causa de uma relação de amizade: Elop é ex-funcionário da Microsoft.

O mercado de telefonia cada vez mais aponta para três tipos de foco: os celulares modestos (aqueles que apenas fazem ligações), os smartphones e os sistemas operacionais (SO) para celulares inteligentes. Telefones e SO precisam estar separados e as empresas responsáveis pela fabricação dos aparelhos não devem se prender a este ou aquele fabricante. A Samsung é a principal parceira do Android hoje, mas se a Nokia com toda a sua experiência adotasse o robozinho o quadro poderia ser bem diferente em pouco tempo. Essa regra não vale no caso da Apple, que criou uma legião de fanáticos, nem para a Motorola, que é do Google, a dona do Android. Mas nos dois casos a história é outra e pode virar assunto para outro post.

Entretanto, a Nokia é a principal parceira do Windows Phone e, sem a participação do falecido Symbian, ainda se faz presente de forma modesta no mercado. A empresa espera mudar este cenário com os novos aparelhos com Windows Phone 8 e com a evolução do 7.5, chamada de 7.8, que deve chegar a todos os aparelhos com a atual versão além de novos aparelhos com configurações mais modestas. O Nokia 920 vem aí com bastante potencial para começar a virar o jogo. Ou pelo menos tentar.

Só resta esperar e conferir se o gigante finlandês está adormecido ou se Elop já está chamando a ambulância para levar a Nokia para a UTI. Os acionistas estão de olho e querem ver a crise da companhia ser estancada. E se o atual CEO não parar a hemorragia interna e externa, a solução vai ser mudar o enfermeiro chefe e, quem sabe, teremos um robozinho verde com Pureview, o principal lançamento recente da Nokia, responsável por melhorar as qualidades das imagens registradas pelos smartphones.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Frases de Oscar Niemeyer


O Brasil se despede hoje de um de seus maiores ícones, o arquiteto Oscar Niemeyer. Ele morreu no dia 5 de dezembro aos 104 anos, no Rio de Janeiro e a presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de 7 dias em todo o país. Durante o velório em Brasília, integrantes do Movimento dos Sem Terra homenagearam o arquiteto. O principal legado de Niemeyer não são as obras arquitetônicas, mas sim a luta pela democracia e pela justiça social. Para demonstrar isso, o blog apresenta hoje algumas frases do arquiteto.

"A vida não é justa. E o que justifica esse nosso curto passeio é a solidariedade"

"Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida"

"Cem anos é uma bobagem, depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela" - em entrevista no aniversário de 100 anos

"Meu trabalho não tem importância, nem a arquitetura tem importância pra mim. Para mim o importante é a vida, a gente se abraçar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar num mundo melhor. O resto, é conversa fiada."

"O arquiteto não pode sair para a vida como desenhista. Ele deve saber como se comportar diante do mundo"

"Uma mudança para melhor vai acontecer quando o homem compreender que é fruto da natureza. Que é um bicho, que nasce e morre"

"A vida pode mudar a arquitetura. No dia em que o mundo for mais justo, ela será mais simples."

"A humanidade precisa de sonhos para suportar a miséria, nem que seja por um instante."

"Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua, protestando, é que a gente transforma o país."

“Eu faço o que eu gosto. Não faço o que os outros gostariam que eu fizesse. Eu não leio nada sobre arquitetura. Prefiro ler um romance. Arquitetura é coisa pessoal, é coisa intuitiva. A gente faz porque a gente gosta de fazer”.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Querendo ou não ele era o Niemeyer

O arquiteto Oscar Niemeyer morreu aos 104 anos no dia 5 de dezembro de 2012 após ficar internado por pouco mais de um mês. Ele faleceu dez dias antes de completar o seu 105º aniversário. Ao longo de seus 104 anos, assinou quase 500 obras como a sede da Organização das Nações Unidas e o plano piloto de Brasília. Elas estão espalhadas pelas principais cidades brasileiras e em países como Estados Unidos, Líbano, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Israel e Itália.


Niemeyer é reconhecido internacionalmente por suas obras e se por um lado seu trabalho desperta admiração, por outro são comuns as críticas principalmente pelo fato de ser ateu e comunista. Ele justificava isso dizendo que foi levado a esse caminho por estar revoltado com a situação de miséria e desigualdade no mundo.

Entretanto, apesar de ateu ele projetou muitas igrejas. E fez isso afirmando que o prazer que sentia em ver uma obra religiosa bem realizada era muito menor do que a importância que dão aqueles que a frequentam.

Além disso, independente de acreditar ou não em Deus e de sua posição política, Niemeyer sempre deixou clara a sua posição político-social. Se importava com os mais pobres e chegou a dizer que a solidariedade justifica a nossa vida. Para ele não bastava fazer uma sociedade moderna mas sim mudar a sociedade.

Essa preocupação com o lado humano talvez seja a grande lição do arquiteto. O fato de ser ateu e socialista, criticado por uns e outros após sua morte, na verdade é um fator menor, quase sem importância. Aos religiosos mais fervorosos vale lembrar que o próprio Deus criou o livre-arbítrio para que pudéssemos acreditar nEle ou não.

Ou seja: querendo ou não ele era o Niemeyer.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A história da política na privada

Dois fatos recentes chamam a atenção. O primeiro faz referência ao caso Rosemary Noronha. De acordo com reportagem do dia 1º de dezembro do jornal Folha de S.Paulo, a grande influência dela no alto escalão do governo federal acontece pois ela teria uma “relação de intimidade” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O segundo aconteceu ontem (4) e também envolve o governo. A presidente Dilma Rousseff foi vaiada ao chamar as "pessoas com deficiência" de "portadores de deficiência" durante conferência em Brasília.

Em ambos os casos, postagens em redes sociais criticavam a atual presidente e o ex-presidente com associações absurdas, relacionando, no caso mais recente, tal visão a um preconceito com o Partido dos Trabalhadores. Nos dois casos, vários blogs pequenos, menores até que este espaço, republicavam textos de grandes sites noticiosos com comentários inflamados e absurdamente críticos.

Com a possibilidade de criar blogs de forma gratuita e com as redes sociais, todo mundo pode ter um espaço para reclamar e criticar. O sistema de comentários em portais de notícias também colaboram e cedem alguns caracteres para seus leitores interagirem com a publicação. Sem dúvida alguma isso é importante. Mas é importante saber sobre o que criticar e como fazer isso.

No primeiro caso, a aplicação do dinheiro público é o que deveria realmente importar. No Brasil, entretanto, cada vez mais parece que saber da vida alheia é tão ou mais importante que saber da própria realidade. Uma versão digital do sujo falar do mal lavado. No segundo caso, o desvio do foco da discussão chega a ser patético. A justificativa: o termo portador não remete a algo humano.

Na verdade pouco importa o termo e sim a política pública e a eficiência dela. O mesmo vale para o termo homossexualismo x homossexualidade. O primeiro deve sempre ser evitado por relacionar o fato de ser gay a algo patológico. E paro por aqui pois a lista de nomenclaturas que devem ser evitadas é imensa. Cada um se vale da subjetividade e define qual termo usar. E o problema parece ser justamente esse: subjetividade demais. Tanto que a discussão se perde em devaneios, propostas e ideias.

E enquanto perdemos tempo debatendo prefixos, sufixos, termos e especulando relações, o caminho do dinheiro público perde a importância e a violência moral e física começa a fazer parte do cotidiano, ganhando espaço das políticas de inclusão social, racial, sexual e tantos outros tipos que surgem a cada exposição de ideias.

E com tanto barulho que fazemos por nada, acabamos nos silenciando para o que realmente importa.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Venda de móveis cresce e a geração de lixo também

Com a aproximação das promoções de fim de ano, também chega a hora de repaginar a decoração e deixar a casa preparada para o novo ano. É quase um ritual, cumprido à risca. Vale tudo: desde um sofá ou uma estante novos a uma simples mudança de posição nos móveis.

Entretanto, cada vez mais os sofás velhos, as camas e mesas que também já tem algum tempo de uso estão sendo trocados por móveis novos. Dados do início de 2012 do instituto Data Popular mostram que os brasileiros aumentaram o valor com a aquisição de móveis em cerca de 56,8% em dez anos. Ou seja: já alcançamos o patamar de R$ 19,4 bilhões por ano em gastos com móveis novos para a casa. Se continuar assim, vem mais lixo jogado por aí.

Por um lado isso é bastante positivo. Mantém a indústria e a economia funcionando, gera empregos e oportunidades. Porém tem um impacto preocupante. A lei da física é clara: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço e muitos dos móveis descartados são abandonados nas ruas, calçadas e terrenos. O resultado: problemas!

Móveis abandonados nas calçadas impedem que os pedestres passem, eles seguem o caminho pela rua e podem ser atropelados ou atrapalham o trânsito. Além disso, um móvel jogado sempre traz outros entulhos e lixo, o que atrai animais como ratos e baratas. E quando chove a situação é ainda pior com as enchentes. Ruas alagadas, carros parados e possibilidade de contaminação por doenças como a leptospirose.

A solução é ter conscientização e descartar o móvel velho no local certo. Ou doar, revender, reusar. O descarte inadequado, além dos incômodos, também provocam gastos desnecessários nas administrações públicas e no fim todo mundo paga a conta.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Fim do ano e fim do mundo

Hoje é o primeiro dia útil do último mês do ano que pode vir a ser o derradeiro da nossa existência neste planeta. Ou não. A NASA diz que não e os maias dizem que sim, apesar de alguns cientistas afirmarem que os maias não disseram nada.

Enquanto acontece a queda de braço para decidir quem tem razão sobre o fim do mundo, o fato é que o fim do ano está aí. Para os prefeitos é hora de fazer as contas fecharem, sempre de olho na lei de responsabilidade fiscal. Para muita gente é a hora de sair do vermelho com uma ajuda do décimo terceiro salário. Ou pelo menos tentar.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que cerca de R$ 131 bilhões (o equivalente a 2,9% do Produto Interno Bruto do Brasil) devem ser injetados na economia brasileira com o pagamento do 13º salário.

A recomendação do Serasa é que esse dinheiro seja usado para saldar dívidas. De janeiro a outubro de 2012, cerca de 16 milhões de consumidores renegociaram o pagamento de contas atrasadas: aumento de 16,3% em relação ao mesmo período de 2011.

E pelo visto este número vai aumentar. A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou em outubro pesquisa que aponta um dado importante: 64% dos consumidores em todo o país pretendem utilizar o décimo terceiro de 2012, assim como nos anos anteriores, para pagar dívidas e começar 2013 no azul ou poupar e se preparar para um nova bateria de IPVAs, IPTUs, mensalidades, material escolar, e etc.

Isso, é claro, se o mundo não acabar antes. Os maias dizem que sim. A NASA nega. Mas, na dúvida, o melhor sempre é prevenir e não remediar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quem dá aos pobres às vezes realmente empresta a Deus

Estava voltando de uma reportagem quando uma mulher parou e pediu dinheiro. No início a reação foi padrão: disse que não tinha e comecei a fechar o vidro do carro. Ela se afastou do veículo e então percebi a tristeza, o sofrimento e a angústia vivida por aquela senhora: após o meu não, abaixou a cabeça e saiu em busca de uma lata vazia de refrigerante ou cerveja, que se juntaria às outras que estavam em um saco e provavelmente seriam vendidas para ela ter dinheiro. Percebi que poderia ser diferente e tirei um dinheiro do bolso e entreguei para a mulher.

Às vezes sinto como se tivéssemos criado uma blindagem que nos deixa insensíveis a estas histórias. Afinal é tão comum vermos gente pedindo esmola aqui e ali para comprar drogas e bebidas que já não sabemos mais quando o pedido é para matar a fome ou sustentar o vício. Sem falar dos casos de exploração do trabalho infantil e até mesmo nos assaltos.

Isso acontece pois a esmola dada nem sempre é de fato uma esmola emprestada a Deus: doamos com bondade, mas o destino final não é aquele que nos comoveu. E assim deixamos várias oportunidades passar, pois não acreditamos mais nas histórias que nos são contadas.

Lembro de duas histórias que me marcaram. Uma vez, um homem entrou no ônibus pedindo dinheiro para comprar remédios e comida, pois não podia trabalhar e precisava de recursos. No dia seguinte, vi o mesmo homem saindo de um cinema pornô no centro da cidade. Isso me fez refletir sobre o real uso do dinheiro que tantas pessoas deram, achando que estavam emprestando a Deus.

Em mais um caso, outro homem entrou pedindo dinheiro para completar a passagem de volta para a cidade dele. Após uma história dramática, que parece ter saído de algum folhetim, várias pessoas doaram notas de 2, 5 e uma senhora mais humilde se mostrou penalizada e deu uma nota de 10 para ele. Ele continuou pedindo, dizendo que ainda faltava um valor para completar, como se estivesse em um leilão. Quando percebeu que ninguém mais doaria, ele ficou irritado e começou a xingar. Esbravejava dizendo que precisava do dinheiro e que todos naquele ônibus tínhamos a obrigação de ajudá-lo. Isso mesmo: obrigação.

Assim, cada vez mais parecer que esmolar é um mercado lucrativo, sem impostos nem tributos e obrigações formais como previdência e nota fiscal. O trabalho pode ser realizado em qualquer esquina ou ônibus. Em qualquer bar ou posto. Basta encontrar alguém com bom coração e crente no fato de que dar esmola de fato é agir com caridade.

E às vezes de fato o é. Entretanto, cada vez mais estamos sem conseguir discernir entre o oportunismo e a necessidade. Em alguns casos o primeiro se disfarça do segundo e a indecisão se instala de um jeito tão grande que é mais fácil fechar a janela do carro e ir embora.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Os royalties do petróleo e a educação


A presidente Dilma Rousseff mudou as regras de distribuição dos royalties do petróleo de Campos. Além disso, também definiu que todos os royalties dos futuros contratos serão destinados à educação. Sábia decisão e com efeito prático no longo prazo.

Um país em crescimento precisa de gente para continuar empurrando a alavanca no futuro. Ou caso contrário, como na esquadrilha da fumaça, o avião que subia começa a cair em queda livre e próximo ao chão percebe que não tem freio. E aí vem a crise!

Para evitar isso é preciso educação, a base. A educação é o alimento do progresso, é o ar que as narinas do desenvolvimento inspiram e expiram. Estimular a educação é olhar o hoje e preparar o amanhã. É seguir à risca o que diz a bandeira: ordem e progresso.

Não bastam políticas de benefícios sociais. Elas só dão o peixe. É preciso ir além "do dar o peixe e do ensinar a pescar" e mostrar que a vara serve para retirar o alimento da água, como fazer para se alimentar e qual animal pode ser comido.

Sem isso, corre-se o risco de continuar pescando de maneira errada e, o que é pior, comendo e engolindo os frutos venenos oriundos da falta de educação e que tanto assombra o mundo moderno como a violência, a fome e a miséria.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Frases de Joelmir Beting

Joelmir Beting sempre foi conhecido por seus jargões e frases. Separei umas que achei interessante, lidas por aqui e por ali:

"Jornalista não é o homem que sabe tudo. É o homem que conhece e tem acesso, por dever de ofício, aos homens que de fato o sabem."

"Em toda crise, o desemprego sobe pelo elevador e desce pela escada."

"Temos seis calendários no mundo de hoje: o calendário gregoriano ou cristão, o calendário judaico, o calendário islâmico, o calendário japonês, o calendário chinês e o calendário brasileiro."

"Na prática a teoria é outra."

"Se não podemos melhorar o que causa a febre, pelo menos temos de melhorar a qualidade do termômetro."

"No mundo moderno, o saber fazer ou o que fazer deixou de ser o desafio maior."

"Em economia, é fácil explicar o passado. Mais fácil ainda é predizer o futuro. Difícil é entender o presente."

"Quando os preços sobem é inflação; quando descem é promoção."

"Em matéria de banda larga, ainda vivemos na idade da web lascada."

"No mais, a discussão acadêmica: retomada pela base do investimento ou pela ponta do consumo? Afinal, quem nasce primeiro: a galinha ou o ovo? Papai Noel acha que é o pintinho."

"Desburocratizar a autoridade é redemocratizar a sociedade."

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Adeus, Joelmir!

O jornalista Joelmir Beting é daquelas pessoas que não poderiam morrer nunca. Apresentei meu Trabalho de Conclusão de Curso na noite desta quarta-feira (28) e prestei homenagem à ele, já sabendo de seu estado de saúde irreversível. Poucas horas depois de nos tornarmos colegas de profissão, ele morreu.

Ouso dizer que o jornalismo econômico tem duas épocas: AJB e DJB. Ou seja: antes de Joelmir Beting e depois dele. Os "Bordões do Joelmir" ecoarão por longo tempo e será citado nas conversas e análises sobre economia, política e até mesmo no futebol. Ele começou como jornalista esportivo, depois trouxe o estilo de narrar o esporte para analisar a economia. Parece ousado, mas deu certo. O que é ousado tende a ser visto como incerto. Isso é a teoria. Mas como ele mesmo disse, na prática a teoria é outra. Vai se o jornalista, fica a inspiração.

Inspiração que me motivou e mesmo diante de inúmeras dificuldades fez com que eu insistisse e realizasse o meu desejo de falar sobre jornalismo econômico no meu trabalho de conclusão de curso. No projeto original, um capítulo inteiro dedicado ao jornalista, além de uma entrevista. É pouco, mas seria feito com dedicação e admiração.

Com essa perspectiva, comprei seus dois livros em um sebo e guardei, na esperança de poder conversar com ele e pedir um autógrafo. Não foi possível concretizar esse sonho e os dois livros continuam ali, esperando. E com uma página em branco que jamais será escrita.

Valeu, Joelmir! E que seu trabalho versátil, inteligente e multimídia inspire novos jornalistas, econômicos ou não, em suas carreiras assim como aconteceu comigo. Precisamos de modelos positivos, como Joelmir.

Adeus, Joelmir!

domingo, 28 de outubro de 2012

O desafio não é ganhar a eleição, mas governar


Com o fim das eleições, o pensamento não é mais de disputa. Ou pelo menos não deveria ser. Ganhar eleição é fácil, independente deste ou daquele partido, o desafio agora são os quatro anos que estão por vir. Muitos problemas foram apontados nas campanhas e o eleitor votou acreditando em soluções para todos eles ou por acreditar em uma administração que está trazendo respostas, na esperança de que os próximos anos sejam se continuação.


Independente de ter uma estrela vermelha, um tucano na bandeira ou qualquer outro símbolo, o que o eleitorado quer são respostas. O famoso "cumprir as promessas".

No próximo mandato o marketing eleitoral deve ser deixado de lado e o pacto selado entre eleitores e candidatos, firmado com o resultado das urnas, deve ser respeitado. O vencedor deve lembrar que também tem um compromisso com o eleitor, não apenas com as correntes responsáveis pela sua eleição e que vão cobrar sua fatia no bolo pós-eleição.

Afinal, ganhar eleição é fácil. Porém, quando os interesses partidários batem à porta o verdadeiro responsável pela vitória tende a ser esquecido. O pacto é silenciosamente quebrado e a esperança começa a deixar de se fazer presente de forma gradativa. Pelo menos até a próxima eleição.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Deus e o Diabo - por Jorge Furtado

Republico hoje no blog um texto de 2003 mas muito inteligente e interessante:

Vamos ver se você está bem informado. Complete o seguinte texto:  
"No dia ..... (a) de setembro de ..... (b) uma explosão destruiu ...... (c). A responsabilidade de tal ato não foi fixada com precisão até hoje, mas os ..... (d) acusaram imediatamente a ..... (e).

A civilização ocidental está pronta para ser submetida a outra grande prova da sua capacidade de sobreviver ao desastre. Mais uma vez, o mundo marcha para a guerra. Os líderes mundiais não atentaram nas lições da terrível provação da última guerra e sucumbiram às tentações do poder e da cobiça.

Uma das principais causas da guerra foi a adoção de uma política isolacionista pelos Estados Unidos, que não aceitaram as resoluções da ....... (f). Muitos acreditam que a posição americana é obra exclusiva dos reacionários ferrenhos e dos nacionalistas impenitentes. Espalha-se pelo mundo a convicção de que Tio Sam fora meter-se no que não era da sua conta.

A política da Inglaterra com respeito à manutenção da paz é quase que o oposto da política francesa. Separados do resto da Europa pelo Canal da Mancha, os ingleses não se sentem levados a preocupar-se tanto com a segurança nacional. A política partidária americana também desempenhou papel considerável no caminho para a guerra. As eleições de outubro de ...... (g) foram vencidas pelos republicanos. Embora uma análise posterior demonstrasse que a maioria do eleitorado havia votado nos democratas, os votos estavam distribuídos de tal maneira que os republicanos ganharam o controle tanto do Senado como da Câmara.

Foram feitas diversas tentativas para salvar a paz. Importantes intelectuais, através de artigos no New York Times, desafiavam o governo norte-americano a aceitar a proposta francesa. Todas as tentativas de desarmamento fracassaram. Começou a correr o mundo a idéia de uma guerra preventiva.

...... (h) anunciou que as operações militares haviam começado. Como justificativa, alegava que ...... (i) já havia mobilizado e cometido atos hostis contra ...... (j) e que a "bárbara perseguição" contra homens, mulheres e crianças ...... (l) já não podia ser tolerada por uma grande nação."
Se você respondeu (a) 11, (b) 2001, (c) o World Trade Center, (d) americanos, (e) Al Qaeda, (f) ONU, (g) 2000, (h) Bush, (i) o Iraque, (j) os Estados Unidos e (l) iraquianas, errou tudo.

As respostas certas são (a) 18, (b) 1931, (c) Estrada de Ferro da Manchúria, (d) japoneses, (e) China, (f) Liga das Nações, (g) 1918, (h) Hitler, (i) a Polônia, (j) a Alemanha e (l) alemãs. Todas as frases do texto são do livro "História da Civilização Ocidental", de Edward McNall Burns (Editora Globo, 1975), no capítulo que trata das causas da Segunda Guerra Mundial, que matou 50 milhões pessoas.

Saddam é um milionário que chegou ao poder de forma ilegítima, é um fanático religioso e um assassino, mata criancinhas em nome de Deus e da pátria. Bush é um milionário que chegou ao poder de forma ilegítima, é um fanático religioso e um assassino, mata criancinhas em nome de Deus e da pátria. Salman Rushdie tem razão: "o nome do problema é Deus". Não o Deus de cada um, mas o Deus coletivo, evocado pelos tiranos para mandar inocentes ao matadouro. Na luta entre o deus de Bush e o deus de Saddam, o diabo ri.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Corte na Selic deve poupar R$ 10 bi do Governo

O novo corte de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic deve significar uma economia de R$ 10 bilhões para o governo. A estimativa é da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que considera acertada a decisão do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros para 7,5% ao ano.

A FecomercioSP afirma que além da economia do setor público, a queda no índice reforça a pressão para a redução de juros na ponta, o que estimula o setor privado a trocar investimentos financeiros por investimentos produtivos. Além disso, os juros mais baixos possibilitam que mais pessoas físicas e jurídicas adquiram financiamento, estimulando a produção e o consumo interno. Movimento saudável para economia nacional.

Por outro lado, a FecomercioSP destaca que o governo precisa destinar melhor os recursos poupados com os cortes na taxa básica de juros, implementando, por exemplo, medidas que canalizem essas "sobras" para elevar o grau de investimento do setor privado, ao invés de ser leniente com os gastos correntes. A entidade pondera, ainda, que como a pequena pressão registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é a de alimentos, e esta se deve a fatores externos, como a quebra de safra devido a problemas climáticos na Rússia, Estados Unidos e outros grandes produtores, há espaço para um novo corte na Selic até o fim do ano.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Profecias que não aconteceram - por Gilberto Schoereder*

Por motivos que merecem uma análise profunda, profetas e outros visionários vêm falando sobre o fim dos tempos, que nunca chega. Alguns mudam datas previstas quando o evento não ocorre; outros simplesmente caem no ridículo e desaparecem.

Profecias vêm sendo feitas há milhares de anos, e sempre que uma data específica se aproxima elas são lembradas e novas profecias se multiplicam, como ocorreu na virada do milênio por exemplo. O final dos tempos, a destruição do mundo, a volta de Jesus – os temas são variados.

No entanto, quase nunca é lembrado que a maior parte das profecias não se cumpre. Aqui registramos algumas das mais famosas profecias não cumpridas ao longo dos séculos.

30/30 
Uma interpretação literal do Novo Testamento levou algumas pessoas a entender que Jesus Cristo previra que o Reino de Deus iria chegar num período de tempo curto, na verdade durante a vida das pessoas que o escutavam. Em Mateus 16:28, por exemplo ele diz que o Filho do Homem chegaria durante o período de vida das pessoas que o ouviam. Em Mateus 24:34, ele repete que as coisas que está dizendo irão ocorrer naquela geração. Como a expectativa de vida na época era de pouco mais de 30 anos, Jesus teria predito sua segunda vinda ainda no século 1.

Seguindo o mesmo raciocínio, por volta do ano 60, Paulo de Tarso também profetizou que Jesus estaria para voltar.

90
São Clemente prevê que o fim do mundo pode ocorrer a qualquer momento.

365/ 375 a 400 
Santo Hilário, também chamado Hilário, bispo de Poitiers (c. 300-367), anunciou que o mundo acabaria em 365. São Martin de Tours (c. 316-397), que estudou com Hilário, anunciou que o mundo acabaria antes do ano 400.

500 
Hipólito de Roma (século 2), um antipapa (que não reconhecia o direito do papa eleito,e sim o seu), e o acadêmico cristão Sextus Julius Africanus (século 2) profetizaram o Armagedom para aquele ano. O pânico do fim do mundo iria acompanhar as chamadas datas redondas, ou cheias, como o ano 1000 e 2000.

1º de Janeiro de 1000 
Na Europa, muitos cristãos profetizaram o fim do mundo nessa data e, quando mais próximo dela, exércitos cristãos entraram em guerra contra alguns dos países pagãos do norte da Europa, para convertê-los ao cristianismo à força antes que Cristo retornasse. Além disso, muitos cristãos doaram suas posses à Igreja.

1033 
Tido como o milésimo aniversário da morte e ressurreição de Jesus, esperava-se sua segunda vinda.

1205 
Gioacchino da Fiore (c. 1135-1202) previu, em 1190, que o Anticristo já estava no mundo e que o rei Ricardo I da Inglaterra iria derrotá-lo.

1284 
O Papa Inocêncio III (1198-1216) chegou a essa data como o o fim do mundo somando 666 anos à data de fundação do Islã.

1346 e anos seguintes 
A Peste Negra, também chamada Morte Negra, devastou a Europa, vinda da Ásia. Calcula-se que até dois terços da população européia morreu, e no mundo todo, 75 milhões de pessoas, na maior pandemia da história humana. Esse evento foi considerado o prelúdio do fim imediato do planeta.

1496 
Calculando a data de 1.500 anos após o nascimento de Cristo, alguns místicos profetizaram que o milênio iria começar nesse ano.

1524 
Melchior Hoffman (c. 1495-1543), profeta anabatista e líder visionário do norte da Alemanha, disse que Jesus iria retornar em 1533 e que a Nova Jerusalém seria estabelecida na cidade de Estrasburgo, então parte da Alemanha.

1669 
Os Velhos Crentes, na Rússia, acreditavam que o fim do mundo ocorreria nesse ano, e 20.000 deles queimaram a si mesmos entre 1669 e 1690, para se proteger do Anticristo. Os Velhos Crentes (staroveri, em russo) são vistos como os fundamentalistas cristãos ortodoxos russos.

1689 
O Batista Benjamin Keach (c. 1640-1704) prediz o fim do mundo para esse ano.

1736 
O Teólogo e matemático britânico William Whitson prevê um dilúvio semelhante ao de Noé, para o dia 13 de outubro daquele ano.

1792 
Segundo alguns shakers, o mundo terminaria nesse ano. Shakers, na verdade, era um nome pejorativo para os protestantes da United Society of Belivers in Christ’s Second Appearing, devido à forma como se movimentavam em seus rituais, dançando, tremendo e sacudindo-se.

1830 
A profetisa escocesa Margaret McDonald disse que o socialista galês Robert Owen seria o Anticristo. Ela fazia parte da congregação de Edward Irving e acreditava que todos os cristãos da Terra seriam arrebatados aos céus para juntar-se a Cristo.

21 de março de 1843 a 21 de março de 1844/ 18 de abril de 1844/ 22 de outubro de 1844
Segundo estudos que fez da Bíblia, William Miller (1782-1849), fundador do movimento Millerista, predisse que Jesus iria voltar no período entre março de 1843 e 1844. Como nada ocorreu naquela data, ele estendeu o prazo para abril do mesmo ano. A outra data passou e Miller confessou publicamente seu erro. Posteriormente, Samuel S. Snow apresentou outro estudo e disse que a data seria 22 de outubro de 1844.

1850/ 1856 
Ellen White (1827-1915), fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, fez várias profecias relacionadas ao fim do mundo. Acredita-se que sua primeira visão surgiu em 1844, logo após o Grande Desapontamento, o evento pelo qual ficou conhecido o fiasco das previsões de William Miller. Em junho de 1850, Ellen White previu que o mundo iria durar só mais alguns meses. Em 1856, após uma conferência da Igreja, em fez sua última profecia, dizendo que alguns dos que estavam presentes iriam ver a chegada de Jesus.

1891 
Segundo profecia feita por Joseph Smith, fundador da Igreja Mórmon, em fevereiro de 1835, Jesus iria retornar dentro de 56 anos, ou seja, em fevereiro de 1891.

1914 
As testemunhas de Jeová (Watchtower Bible and Tract Society) apontaram o ano de 1914 como o inícioda guerra do Armagedom, chegando à data após estudo do Livro de Daniel. Quando o ano terminou e o mundo continuou, apesar da guerra, 1914 passou a ser o ano em que Jesus invisivelmente começou seu reinado. Outras datas para o final dos tempos surgiram posteriormente: 1915, 1918, 1920, 1925, 1941, 1975 e 1994.

1919 
O meteorologista Alberto Porta previu que uma conjunção de 6 planetas iria gerar uma corrente magnética que faria o Sol explodir, envolvendo a Terra, no dia 17 de dezembro. Falhou.

1936 
Herbert W. Armstrong (1892-1986), fundador da Worldwide Chirch of God (Igreja Mundial de Deus), predisse que Jesus iria voltar em 1936. Depois, mudou a data para 1975.

1948 
Durante o ano em que foi fundado o Estado de Israel, alguns cristãos acreditaram que esse acontecimento era o requisito que faltava para a volta de Jesus.

1953 
No livro The Great Pyramid, Its Divine Message, o piramidologista David Davidson prevou que o fim do mundo ocorreria em 1953. Para chegar à data, realizou uma série de cálculos com as medidas das pirâmides.

Abril de 1957 
Mais uma vez, a revista WatchTower citou um pastor, Mihran Ask, segundo o qual o mundo iria terminar entre 16 e 23 de abril de 1957.

1960 
Charles Piazzi Smyth (1819-1900), astrônomo real da Escócia, foi o autor deo livro Our Inheritance in the Great Piramid (1864), e considerado como aquele que deu início à chamada ‘piramidologia’ em todo o mundo. Ele acreditava que segredos estavam escondidos nas pirâmides e, após muitas pesquisas, propôs datas para a segunda vinda de Cristo e o final dos tempos, datas que iam de 1882 a 1960.

1967 
Durante a guerra dos seis dias o exército israelense tomou toda a cidade de Jerusalém e alguns cristãos entenderam que o arrebatamento logo ocorreria. O requisito final seria que os judeus realizassem um sacrifício de animal no Templo, o que, ao que se sabe, não ocorreu.

1970 
David Brandt Berg (1919-1994), também conhecido como Moses David, fundador do grupo Meninos de Deus (The Children of God), previu que um cometa iria atingir a Terra, provavelmente em meados dos anos 1970, e destruir toda a vida nos Estados Unidos. Disse ainda que a segunda vinda de Cristo ocorreria em 1993. Nos anos 1970, Os Meninos de Deus atuaram bastante no Brasil, parando as pessoas na rua para propagar sua mensagem de paz e amor. Eram chatíssimos.

1978 
Chuck Smith, pastor da Calvary Chapel, previu o arrebatamento para 1981.

1980 
Leland Jensen, líder da Comunidade Mundial fé Baha’i, predisse que um desastre nuclear ocorreria nesse ano, o que poderia ser seguido por duas décadas de conflito, terminando com o estabelecimento do Reino de Deus na Terra.

1981 
O revendo Moon, da Igreja da Unificação, previu que o Reino dos Céus seria estabelecido nesse ano.

1982 
O físico e escritor John Gribbin e o astrônomo Stephen Plagemann publicaram o livro Efeito Júpiter, em 1974. Nele, previam um alinhamento planetário para 1982 que iria provocar uma série de catástrofes como interrupções nas ondas de rádio, chuvas, distúrbios nas temperaturas, terremotos violentos, inclusive na falha de San Andréas, na Califórnia. O alinhamento realmente ocorreu, mas nada aconteceu.

1986 
De novo Moses David, dos Meninos de Deus, previu que a Batalha do Armagedom iria ocorrer em 1986. A Rússia iria derrotar Israel e os Estados Unidos, estabelecendo uma ditadura comunista mundial. Em 1993, Cristo voltaria à Terra.

1987 a 2000 
No livro I Predict 2000 AD, Lester Sumrall (1913-1996), fundador do lester Sumrall Evangelistic Association, previu que Jerusalém seria a cidade mais rica do planeta, que o Mercado Comum iria governar a Europa e que uma guerra nuclear iria ocorrer, envolvendo a Rússia e, talvez, os Estados Unidos.

1988 
O escritor evangélico norte-americano Hal Lindsey previu, em seu livro The Late, Great Planet Earth, que o arrebatamento estava chegando em 1988 – uma geração ou 40 anos após a criação do estado de Israel.

A partir dos anos 1980 até hoje 
Centenas, talvez milhares de previsões de pessoas ligadas aos mais diversos grupos religiosos e esotéricos fazem referência ao fim do mundo, catástrofes globais, a volta de Cristo, a chegada dos extraterrestres e sabe-se lá o que mais. As datas freqüentemente vão sendo alteradas à medida que as previsões falham.” (Profecias e Profetas, Revista Sexto Sentido Especial, 2008, pág. 16-21).

* Gilberto Schoereder é jornalista e escritor

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O choque pelo choque

O mês de junho está chegando e de novo vamos ter a Marcha para Jesus e a Parada Gay. São eventos importantes e cada um tem um público distinto que, hipocrisias e mentiras à parte, em muitos casos se misturam.

Tanto a religião quanto o respeito ao ser humano, independente de qualquer coisa e isso inclui o sexo do indivíduo que é levado para a cama, são temas recorrentes e deveriam ser debatidos com força e diálogo. Entretanto, um evento parece brigar com o outro. São, digamos, filosofias diferentes que não medem esforços para chocar o outro. Tudo se torna uma briga infantil, onde uma quer mostrar que pode mais que a outra.

O motivo? Não sabemos. Talvez o ego latente que faz inflar o peito e dizer aos seguidores/simpatizantes: "eu lutei em nosso nome, defendi os nossos direitos. Agora votem em mim".

Na prática não existe uma verdade que justifica essas ações. Parece uma arraigada busca por holofotes e 15 minutos de fama. Por causa disso, já é bastante comum ligarmos a televisão e vermos um desses telepregadores criticando os gays que vão para o twitter ou para as ruas e por fim realizam uma protesto que é respondido por outro organizado por esses pastores-celebridade.

Na verdade, tanto a parada quanto a marcha tem erros graves quando relacionamos o conceito e a prática. A marcha para Jesus se refere a um personagem histórico que pregou o amor e a paz. Porém, ela é proposta por pessoas que pregam o preconceito.

Por outro lado, a parada gay pede respeito e igualdade. Entretanto, ataca os valores de forma um tanto violenta e promove uma festa com forte teor sexual que crianças, jovens, adultos, vovôs e vovós assistem de suas varandas e janelas. Pouca ou nenhuma roupa, sexo em público, drogas e muita música e reivindicação política quase nula.

Se ambas as organizações querem respeito, deveriam seguir a fundo o que é proposto no conceito original do trabalho. Isso não acontece e com certeza nos próximos anos não vai acontecer. Fica simplesmente o choque pelo choque e o combate pelo combate.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sobre críticas e atitudes contraditórias

Criticar: esse talvez seja o verbo que melhor define a atitude de muita gente por aí. A crítica é disparada para todos os lados, por qualquer motivo, para qualquer um. Isso não tem o menor problema, afinal somos críticos por natureza, e o ato em si demonstra inteligência e percepção aguçada.

O problema acontece quando crítica é traída e exatamente aquilo que foi condenado anteriormente é feito sem pudor em outro momento. Demonstra falta de ética, mancha a imagem. E a moral neste caso se perde.

A ciência aplicada à nutrição nos ensina que somos o que comemos. Na vida profissional esse exemplo pode ser aplicado da seguinte forma: somos o que falamos e o que criticamos. Se falamos algo, condenamos outra questão e agimos de um jeito contrário a tudo isso, alguma coisa está errada.

Em algumas profissões que exigem credibilidade, esse tipo de atitude deveria ser inaceitável. Nesse caso a regra é outra e pode ser explicada por uma expressão chula que não vou reproduzir aqui.

Tal ação faz a crítica se perder no vento. Falta fundamento, falta verdade, falta sustentação. A crítica seguida da contradição faz qualquer comentário se tornar vazio e sem vida.

Afinal, uma prática que em nada condiz com o discurso é uma atitude digna de questionamentos e condenação.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A era dos opinadores

Cada vez mais é preciso ter opinião. Mesmo que vaga, crua ou parcial. Opinar é o verbo da vez, ser opinativo é a palavra de ordem.

É a era dos opinadores. Mesmo que essa opinião massacre, julgue, discrimine. Falar o que quer sem nem ao menos ligar para o impacto dessas palavras na vida alheia é algo louvável. A intenção é demonstrar caráter.

Na verdade, demonstra fraqueza. Demonstra o quanto se está despreparado para ouvir e entender. Demonstra o quanto se está despreparado para conviver.

Vivemos a época dos formadores de opinião por atribuição: cada um se acha senhor de uma determinada verdade, doutor honoris causa de uma causa sem causa, representante de uma força que foi criada para parecer divina. E não é.

Nessa onda opinativa, comete-se um crime: julgar. Muitos se baseiam em interpretações próprias de leis universais para segregar. E aí começam os conflitos, as discussões, as birras políticas, as represálias morais, as torturas disfarçadas de defesas. Começa também uma perda de tempo imensa com assuntos que não resolvem os reais problemas cotidianos.

Ou seja: enquanto se debate o filme da Xuxa, alguns políticos travam uma verdadeira cruzada contra homossexuais, prostitutas e tantos outros, inúmeras questões econômicas, políticas e sociais ficam de lado. Não dão voto, não promovem nomes e não excitam a massa.

Versão moderna do pão e circo. Só que a fatia do pão está mais cara e o circo somos nós.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Frase: sobre ser jornalista

"Ser jornalista é não ter horário". Essa é uma das críticas que mais ouço: às vezes é necessário ficar até mais tarde, entrar mais cedo, trabalhar em um horário que seria de descanso, ler muito sobre um determinado assunto na hora da folga, etc.

Quando me questionam sobre isso, costumo responder: a notícia não escolhe hora para acontecer, ela simplesmente acontece!

Ontem li outra frase que resume bem isso e que é bastante interessante:
Notícia não bate ponto. Acontece a qualquer hora.
Ela é dita pelo pai de um jornalista e também resume bem a vida de um jornalista apaixonado pelo que faz.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Olá, mundo!

Hoje começo a escrever o Blog do Jonatas. Sim, estou começando mais um blog, mas dessa vez demorei para elaborar o projeto e fiz algo com a minha cara, a começar pelo visual. Optei por fazer algo inspirado no estilo Metro UI, que considero mais limpa e simples, além de bastante bonita.

Além disso, com esse visual posso alterar o esquema de cores da página com mais facilidade, sem precisar desenhar tudo do zero.

Neste endereço vou postar impressões sobre minhas experiências profissionais, os bastidores de reportagens, coberturas e matérias.

Por aqui você vai encontrar também crônicas, fotos, observações, opiniões, frases que leio por aí e acho interessantes, etc. Não vou listar tudo, pois o texto ficaria longo. As minhas análises musicais e indicações continuam no www.mixpoint.com.br.

O blog será atualizado no primeiro momento entre uma matéria e outra, ou entre um capítulo e outro do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Não vou postar todo dia, mas pelo menos uma vez por semana pretendo dar as caras por aqui.

Sobre o blog Espaço Livre

O projeto anteriormente hospedado nesse endereço, o Blog Espaço Livre, foi temporariamente desativado. Não tenho tempo de ler tudo que preciso para escrever nele, mas por outro lado sinto uma vontade enorme de blogar. Isso já se tornou quase um vício.

E espero que Blog do Jonatas ajude a suprir essa necessidade.

Até a próxima!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Brasil: 92 milhões de obesos


Noventa e dois milhões: este é o número de pessoas que estão acima do peso no Brasil de acordo com o ministério da saúde. A obesidade pode trazer complicações à qualidade de vida e deve ser encarada como um problema de saúde pública.

Esse resultado retoma uma afirmação que é parte do nosso cotidiano: o brasileiro não sabe comer e quem afirma isso é o IBGE. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada entre 2008 e dois mil e nove 2009, mais de 90% da população brasileira come poucas frutas, legumes e verduras.

O cenário de má alimentação pode ser constatado facilmente. Nas grandes cidades, as lanchonetes são mais frequentadas na hora do almoço que os restaurantes. Além disso, o alto preço dos alimentos considerados saudáveis acaba fazendo com que grande parte da população consuma produtos mais baratos e menos nutritivos.

Assim, tão importante quanto uma política de saúde pública que previna a obesidade, é necessária uma política econômica que faça com que os alimentos bons e baratos estejam ao alcance de todos.

sexta-feira, 30 de março de 2012

46%: essa é taxa total de juros cobrada por uma grande rede de varejo para parcelar um bem de cerca de R$ 900. Nessas condições, o valor do produto saltaria para em torno de R$ 1300. Um valor amargo.

A denúncia foi feita ao Espaço Livre por uma consumidora que ficou indignada com a diferença nos valores da compra com e sem juros. Além disso, ela relatou que mesmo optando por pagar uma entrada no valor de R$ 350, o produto ainda ficaria em R$ 1300 no valor final.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Propaganda eleitoral desnecessária

Em 2012 teremos eleições municipais e nas redes sociais já começou a movimentação partidária. Vários dos agitadores virtuais são futuros candidatos a vereador/prefeito que fazem teasers do futuro roteiro de campanha, como que testando assuntos e temas a serem usados em debates e programas de TV.

Além disso, alguns insistem em comparações com o governo do partido anterior, que em certos casos já tem mais de 9 anos do seu fim. Nessa espécie de "rancor político", ressuscitam até termos que há tempos não se ouve mais falar. Uma herança sonolenta.

Que há vantagens entre um e outro governo e entre partidos, as estatísticas estão aí para provar. Não é mistério para ninguém. Mas diante de uma crise econômica, crime, violência, redução do orçamento na área da saúde, nota do atendimento do SUS abaixo de cinco, chegando a 4 e até menos em muitas cidades do país, além de tantas outras questões, talvez esteja na hora de olhar para esses problemas e trabalhar soluções.

Qualquer coisa diferente disso corre o risco de ser uma espécie de propaganda eleitoral desnecessária.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Aids, gays, carnaval e pressão política

O Ministério da Saúde retirou no dia 9 de fevereiro do seu canal oficial no You Tube o vídeo que faz parte da campanha para o uso de preservativos no carnaval. O trabalho contem cenas de carícias entre dois homens. Segundo a assessoria, o material seria veiculado na campanha mas apenas em ambientes fechados.

Entretanto, o Deputado Federal Marco Feliciano, que é pastor e parte da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, postou no Twitter uma informação que parece mostrar que o órgão foi pressionado a tomar tal decisão. A mensagem deixa claro que houve pressão política por conta dos evangélicos para que o vídeo fosse retirado das redes sociais: "Pressão Nossa —: Ministério da Saúde manda tirar do site vídeo com cena homossexual http://glo.bo/yG6KoF”, escreveu Feliciano no microblog.

Reprodução
Isso serve apenas para acirrar a guerra entre homossexuais e evangélicos. O resultado prático no foco do trabalho do Ministério da Saúde, que é incentivar o uso do preservativo para evitar a proliferação de uma doença, é inexistente. Principalmente dentro de um grupo de usuários que preocupa o órgão por causa do número de infectados. No ano passado, o órgão divulgou um dado preocupante: aumentou o no número de casos entre gays com idade entre 15 e 24 anos e mulheres jovens, com idade entre 13 e 19 anos.

Em entrevista à NBR, o Ministro da Saúde Alexandre Padilha, afirmou que "existe uma geração jovem no país que não viveu a luta contra a Aids há 20 anos atrás. E por isso nós temos que ter cada vez mais estratégias de comunicação, de mudança de atitude. Entender cada vez melhor os meios aonde esse setor se comunica, ações diretas para poder dialogar com esses jovens. Toda a nossa ação do Ministério da Saúde busca ampliar a presença nas redes sociais, nos grandes eventos de maior concentração dos jovens, nas festas, em eventos culturais e ações diretas que envolvem mudanças de atitude desse seguimento da população".

Por outro lado, a igreja ser responsável por interromper a disseminação de uma mensagem que incentiva o cuidado com a saúde e a prevenção de doenças é algo bastante preocupante. Beira até o inaceitável. Corre-se o risco de voltarmos ao passado e revivermos a época dos grupos de risco. E sabemos que o que realmente existe é o comportamento de risco.

E assim nós vemos o estado laico se mostrando cada vez mais voltado a interesses religiosos que se justificam não pela fé, mas sim em interesses econômicos e políticos, contradizendo tudo o que é pregado e tido como palavra.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cadê o Nokia Lumia no Brasil?

Os tão aguardados modelos da linha Nokia Lumia  
Essa é a pergunta que todos os fãs da marca estão fazendo. Apesar de já estar introduzindo o produto no mercado nacional através de mudanças no site e ações na Campus Party, as ações são tímidas. Transcrevo abaixo um parágrafo deste post do Gizmodo Brasil que explica o motivo:
As nossas fontes de dentro da empresa dizem que o principal motivo é o surpreendente sucesso do N9. Se para quem acompanha a tecnologia o N9 é “apenas” um aparelho lindo com ideias geniais mas um sistema natimorto, para o público médio ele é simplesmente “a melhor coisa que a Nokia já fez nos últimos anos”. De curiosidade nos fundos das lojas e coletiva tímida no Brasil, o N9 virou estrela em quiosques de operadoras e ocupa toda a página de entrada da Nokia. Não é que ele esteja vendendo horrores — o Brasil ainda tem um mercado de smartphones relativamente pequeno –, mas parece que a Nokia não quer dois flagships brigando entre si — fora que ainda há um bom estoque de N8s com descontos tentadores nas operadoras para serem desovados. Para evitar “canibalizar” o mercado, a empresa está atrasando a data (divulgada apenas internamente) dos Lumia: do fim de janeiro agora já começamos a ouvir “meio de março”.
Só resta saber se até o lançamento da linha Lumia no Brasil, os primeiros com Windows Phone 7.5, os modelos lançados no ano passado vão conseguir superar as novidades que estão por vir dos fabricantes que usam Android e que devem ser anunciadas no Mobile World Congress.

Por outro lado, a Nokia ainda tem um nome forte no mercado brasileiro. Mas tanta demora pode frustar os leais fãs brasileiros que aguardam ansiosamente por novos lançamentos significantes da marca, após a crise que se abateu na empresa desde 2010 por conta do avanço dos dispositivos com Android (principalmente a Samsung) e do iOS da Apple, além da RIM (Blackberry) no mercado americano.

Vale lembrar que o Brasil é o terceiro maior mercado da empresa, ficando atrás da China e Índia e na frente da Rússia, Alemanha, Japão, Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Espanha.

(com agências de notícias)

Kodak deixa de vender câmeras

Sede da Kodak, em Rochester (Nova York - EUA) 
A Kodak começa a se reestruturar e reorientar seus negócios para não pedir falência, principalmente depois do pedido de proteção judicial pedido no mês passado. A empresa mundialmente conhecida por causa das suas câmeras fotográficas, vai parar de vender câmeras. A medida deve fazer a companhia economizar cerca de 30 milhões de dólares por ano.

A antiga gigante no mundo das fotografias vai continuar a investir em impressão de fotos e planeja abrir lojas físicas para a revelação de fotografias digitais, ramo no qual possui mais de 100.000 unidades abertas ao redor do mundo. Ela também vai focar em negócios online, como pedido de impressão de fotos pela internet, a Kodak Gallery além de um aplicativo de revelação na rede social Facebook.

A companhia precisa de cerca de 1 bilhão de dólares para reerguer suas operações e precisa ainda gerar uma economia de 100 milhões de dólares por ano para conseguir voltar a operar de forma estável.

BBC demite para enfrentar crise

Prédio da BBC em Londres (Renato Nozaki) 
A crise europeia chegou à BBC. A emissora pública britânica disse que vai reduzir o número de repórteres enviados a conflitos internacionais e vai cortar a quantidade de apresentadores em seu canal de notícias. As medidas são para enfrentar a crise. O anúncio foi dado quatro meses após a emissora afirmar que vai demitir 2 mil funcionários até 2017 para cortar despesas. Com isso, alguns escritórios serão fechados e a programação reduzida.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Nokia demitirá 4 mil no México, Finlândia e Hungria

A Nokia anunciou nesta quarta-feira que vai transferir para a Ásia a montagem de seus smartphones antes do fim de 2012. Com a mudança, haverá um corte de 4 mil empregos nas unidades do México, Finlândia e Hungria. A medida visa aumentar sua competitividade no mercado de telefonia celular. A finlandesa quer enfrentar de igual para igual rivais como a americana Apple, a sul-coreana Samsung e a chinesa ZTE.

A montagem dos terminais será feita na Ásia, otimizando o transporte de peças entre a fabricante e fornecedores. As fábricas afetadas pelos cortes terão a responsabilidade de personalizar os produtos para os mercados europeu e americano.

Atualmente, a finlandesa tem 139 mil colaboradores em nove centros de fabricação de celulares em oito países: Brasil, China, Coreia do Sul, Finlândia, Hungria, Índia, México e Vietnã.

Esse é mais um passo da empresa para retomar a liderança absoluta do mercado global. Atualmente ela é a líder em fabricação de aparelhos celulares, mas quando o assunto é smartphones a sua situação não é tão confortável. No ranking das principais fabricantes de smartphones ela é a terceira, atrás da Apple, em primeiro, e da Samsung, em segundo.

Além disso, a Samsung já afirmou que vai superar a Nokia em 2012 no mercado global de celulares.

(com agências Internacionais)

Brasileiro gasta mais com entretenimento

A última edição da Pesquisa Global sobre a Confiança e Intenções de Gasto do Consumidor, do Instituto Nielsen, mostra que o brasileiro gasta mais dinheiro com diversão. O entretenimento fora do lar é a primeira opção de gasto para 39% dos brasileiros quando eles têm dinheiro sobrando. Na sequência vem o pagamento de dívidas, que atingiu 35% das respostas, seguido do investimento de dinheiro na poupança, com 32%.

O estudo da Nielsen foi realizado de 23 de novembro a 09 de dezembro de 2011 e divulgado no dia 7 de fevereiro.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

As revoluções modernas e os revolucionários contraditórios

As revoluções modernas ganharam um contexto diferente, às vezes até particular. E não faltam acusações fantasiosas, gente cujo prazer é classificar qualquer reação negativa do atacado como ditadura ou ameaça/ataque à liberdade de expressão, como se essa fosse um sonho, um éden ou nirvana. Esquece-se, porém, da responsabilidade por tais atos e isso desencadeia uma reação ainda pior, justificando e inflacionando os achismos e julgamentos particulares. E julgando decisões como mercenárias e oportunistas.

Por conta dessa revolução com viés vanguardo-anarquista, as críticas e reclamações ganham ares de guerrilha e não faltam camisas com o rosto Che Guevara estampado para valorizar a manifestação. Também estão presentes bandeiras vermelhas, narizes de palhaço, violência verbal, coro entoando uma rima personalizada. Não falta nada. Por outro lado, despreza-se o pensamento individual e o pacifismo, exaltando a selvageria e atos truculentos. Mesmo que depois reconheçam Cristo ou até mesmo Gandhi como pacificadores, considerando-os como exemplos a serem seguidos e copiados. Contradições.

Consideram-se revolucionários seguidores das ideias de Che e inimigos dos países norte-americanos por tabela, mas combinam tudo de um iPhone ou Blackberry, ou usando computadores com Windows. Tudo através de redes sociais que surgiram nos Estados Unidos. Tempos de globalização, mas sem nenhuma relação com o canal de TV, pois ele também é um dos inimigos da ordem e da moral. Mesmo sabendo tudo sobre o BBB, o principal vilão. Tempos modernos.

Elege a cultura norte-americana como destruidora da boa moral e da arte brasileira, mas curte artistas como Rihanna e Madonna no Facebook. Critério vanguardista.

Se tenta de forma desesperada levantar bandeiras em causa própria ou de um pequeno grupo. São organizadas manifestações, transformando qualquer questão umbilical na causa da desgraça do mundo, da fome na África, da guerra entre as religiões, da falta de respeito com a vida em todas as esferas. Justificam isso com uma frase: "correr atrás dos meus interesses".

Mesmo que para isso a contradição seja a base dessas revoluções modernas.

Mesmo que para isso a acusação venha quando se está abandonando um determinado sistema, como se fosse uma versão moderna daquela brincadeira infantil de apertar a campainha de uma casa desconhecida e sair correndo. Sem medo, mas se escondendo.

sábado, 21 de janeiro de 2012

E a Luiza foi e voltou do Canadá

Essa semana o grande assunto das redes sociais foi a Luíza, que estava no Canadá. Não se sabe bem o motivo de tanto alvoroço, mas a internet tinha apenas esse assunto.

Enquanto isso, entre outras coisas...

  • a situação na cracolândia continuou se desenrolando de forma violenta
  • até o navio que afundou na itália foi esquecido
A internet já produziu memes mais interessantes, como o de outra Luiza, a Marilac, e seus "Bons Drink", ou mesmo a fã do Restart e a famosa "puta falta de sacanagem". Não deixamos de nos preocupar com o resto do mundo por conta de um viral e por conta dos quinze minutos de fama de uma até hoje desconhecida.

Parece que há uma falta de criatividade na criação de memes, ou até mesmo um vazio que torna qualquer coisa em um sucesso rápido, efêmero e vazio.

E enquanto a Luíza foi e voltou do Canadá, nós ficamos aqui postando no Twitter e no Facebook.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Economia mundial à beira da recessão

O relatório "Situação e Perspectivas da Economia Mundial" elaborado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), afirma que "uma nova recessão global é uma possibilidade nada desdenhável".

O texto do documento afirma que "a economia mundial está oscilando e muito perto de uma nova recessão. Espera-se crescimento anêmico nos anos de 2012 e 2013. Os problemas que assolam a economia mundial são múltiplos e interligados. Entre os maiores desafios está a luta contra a crise do emprego e o declive das perspectivas de crescimento, especialmente no mundo desenvolvido".

A crise do emprego citada no texto faz referência ao déficit global de 64 milhões de postos. Esse número pode pular para 71 milhões.

O relatório sugere também que as políticas públicas são os principais fatores preocupantes no cenário econômico 2012-2013. "A falência dos formuladores de políticas públicas, especialmente os europeus e os norte-americanos, em tratar a crise de emprego e prevenir o perigo da dívida pública e a fragilidade do setor financeiro representa o maior risco para a economia global na perspectiva de 2012-2013".


AMÉRICA LATINA

Para América Latina, a queda no crescimento de países com forte relacionamento econômico, como China (um dos principais compradores e investidores da região), poderia afetar e muito o crescimento local. "Com os riscos de agravamento da situação europeia e norte-americana, a América Latina e as economias do Caribe seriam duramente atingidos e o crescimento poderia cair abaixo de 1% na região, com o Brasil estagnado e o México entrando em recessão juntamente com os Estados Unidos".


SITUAÇÃO PEDE CAUTELA

Poderemos entrar em uma fase econômica difícil e seria imprudente considerar isso apenas mais uma marolinha, mas sim trabalhar para que os efeitos no países sejam pequenos. O Brasil pode até não falir ou até mesmo ter um desempenho parecido com o da crise de 2007, tida como "marolinha" pelo governo Lula. Na época o país saiu da crise mais forte, o que ajudou e muito nos resultados positivos que temos hoje. Porém, é necessária uma atenção forte e se preparar.

Afinal, quando se trata da saúde econômico-financeira de uma nação o ideal é sair do populismo e entrar no velho ditado popular: "é melhor prevenir do que remediar".

sábado, 14 de janeiro de 2012

Haiti: dois anos depois do terremoto

A última quinta-feira foi o aniversário do terremoto do Haiti de 2010, que matou pelo menos 223 mil pessoas, feriu pelo menos outras 300 mil e deixou 1,5 milhão desabrigadas. Dois anos depois, um terço dessas pessoas ainda estão sem moradia e vivem em abrigos de emergência, 4,5 milhões sofrem com a escassez de alimentos e possivelmente se alimentado com os biscoitos de barro. Além disso 60% da população está sem emprego.

"Té": biscoito feito de barro, água e manteiga / Marcello Casal Jr./ABr
Uma epidemia de cólera se alastrou pelo país. Pelo menos 500.000 haitianos já foram infectados dos quais 7.000 morreram. Um problema antigo, a falta de condições sanitárias, é o fator principal a tornar a doença, já controlada no mundo, um problema a mais para ser combatido.

Muitos haitianos saem do país e entram no Brasil a procura de trabalho. No ano passado, 4 mil haitianos entraram no país de acordo com o Ministério da Justiça. Pelo menos 1.600 deles já tiveram a situação legalizada. Logo que chegam, eles vivem em situação precária de habitação e de alimentação. Uma reportagem do JN No Ar mostra essas condições e mostra também que muitos empreiteiros preferem o trabalho dos haitianos, que chegam a ganhar R$ 25,00 por dia. O maior problema deles é conseguir o visto.


Em entrevista ao programa Entre Aspas da Globo News, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou que a intenção do Governo é regularizar a situação de todos e que irá conceder 100 vistos por mês para que eles possam trabalhar e ter acesso a todos os direitos civis. Esse número poderá ser revisto caso a demanda aumente ao longo do tempo.

Muito já foi feito ao longo desses dois anos, mas o desastre serviu como forma de mostrar o tamanho da calamidade que já existia no país antes do terremoto, intensificando questões como a fome e a miséria. "Dois anos depois, o país está em um estado lamentável. Fala-se em reconstrução, mas resultados não são vistos", afirmou à agência EFE a dirigente feminista Danièle Magloire. Autoridades e diversos grupos representantes da população estão em consenso e afirmam que a recuperação do Haiti deve ser empreendida de outra forma, para que os sinais sejam mais visíveis.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

As grávidas do crack

A operação da Polícia Militar na cracolândia começa a trazer a tona inúmeros problemas que viviam escondido sob uma nuvem do medo que protegia traficantes e usuários. Crianças viciadas, dramas como o contado por Paulinho, dependente de crack da região da Cracolândia.

Mas, talvez o que mais assusta, se é que podemos dizer assim, são as mulheres grávidas que usam crack enquanto carregam seus filhos no ventre. Dados da polícia mostram que pelo menos 20 mulheres perambulam pela região.

São várias as histórias flagradas pelas câmeras da Folha.com. São várias as histórias que já passaram pelo local. São mulheres que engravidam muitas vezes sem saber o nome do pai e colocam no mundo crianças que nascem praticamente dentro do vício e sem uma identidade familiar, talvez até sem identidade pessoal. São mulheres que engravidaram após se prostituirem em troca de droga.

São mulheres como Lilian que, além de soropositiva, é viciada em crack e está grávida pela segunda vez. Ela está no nono mês de gravidez e frequenta a cracolândia. Sua outra filha tem dois anos e oito meses e mora com o irmão. Ou mulheres como Débora Cardoso, 28 anos, viciada em crack desde os 12 e grávida do quinto filho. Ela sonha ter uma carroça e catar papelão para juntar dinheiro, comprar um barraco e reunir os filhos.

São crianças que nascem prematuras, com defasagem motora e tantos outros males como sequelas neurológicas, hiperatividade, retardo mental e deficit de aprendizagem. Aliás, que aprendizagem? Afinal muitas delas talvez nem frequentem à escola e se o fizerem será por pouco tempo.

A reportagem da Folha de S.Paulo sobre o tema é impressionante e contém os resultados chocantes de um estudo realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Você pode conferir o texto completo clicando aqui (link disponível apenas para assinantes da Folha e do UOL).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cracolândia: o problema não vai acabar

Paulinho, dependente de crack da região da Cracolândia, deu um depoimento para o videorrepórter Mario Palhares. A sua história resume e representa as tantas histórias que o local possui.


O vídeo foi originalmente veiculado no site Observador Político.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Resultados da operação na Cracolândia são modestos

O Ministério Público de São Paulo considerou um desastre a operação na Cracolândia, argumentando que a ação ocorreu de forma desarticulada e sem sincronia entre a PM e secretarias municipais de Assistência Social e de Saúde.

Ao Último Minuto, Eduardo Valério, promotor de direitos humanos da divisão da inclusão social, afirmou que "tráfico de drogas é questão de polícia, dependente químico, não. Essa operação está servindo apenas para espalhar o problema pela cidade. Não acreditamos que essa operação vá acabar com o tráfico. Onde estiver o consumidor, estará o tráfico. Para eliminar o tráfico, é preciso um trabalho de inteligência".

Além de espalhar o problema e criar/aumentar outras cracolândias, a estrutura montada para receber os usuários que queiram se tratar por vontade própria não está sendo eficaz. O Jornal Agora acompanhou seis dependentes de crack levados em vans para a AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Boracea. Dois deles conseguiram a internação. Os outro quatro esperaram sem sucesso por oito horas para que fossem transferidos para clínicas de tratamento. Logo depois voltaram para a cracolândia.

A operação originalmente ocorreria após a abertura do Complexo Prates, um centro de atendimento com capacidade para 1,2 mil usuários de drogas. Isso aconteceria em fevereiro. No sábado (7) o prefeito Gilberto Kassab havia negado essa tese e afirmou não saber que a ação tinha sido adiantada.

Enquanto isso, pequenos grupos de usuários vão em direção ao centro da capital e quando se juntam são dispersados pela polícia com bombas de efeito moral. Isso dá ao até então problema social um ar de guerra: agora serão quase 300 policiais, além de 117 carros, 26 motos e bicicletas, 40 cavalos, 12 cães farejadores e o helicóptero Águia.

Essa ação cada vez mais suntuosa teve resultado modesto: apreensão de 0,447kg de crack. Três mil abordagens policiais com 51 detidos, dos quais 28 eram foragidos. E do total de 788 abordagens de agentes da saúde, apenas 33 foram encaminhadas para serviços de saúde e outras 28 foram internadas.