terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Resultados da operação na Cracolândia são modestos

O Ministério Público de São Paulo considerou um desastre a operação na Cracolândia, argumentando que a ação ocorreu de forma desarticulada e sem sincronia entre a PM e secretarias municipais de Assistência Social e de Saúde.

Ao Último Minuto, Eduardo Valério, promotor de direitos humanos da divisão da inclusão social, afirmou que "tráfico de drogas é questão de polícia, dependente químico, não. Essa operação está servindo apenas para espalhar o problema pela cidade. Não acreditamos que essa operação vá acabar com o tráfico. Onde estiver o consumidor, estará o tráfico. Para eliminar o tráfico, é preciso um trabalho de inteligência".

Além de espalhar o problema e criar/aumentar outras cracolândias, a estrutura montada para receber os usuários que queiram se tratar por vontade própria não está sendo eficaz. O Jornal Agora acompanhou seis dependentes de crack levados em vans para a AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Boracea. Dois deles conseguiram a internação. Os outro quatro esperaram sem sucesso por oito horas para que fossem transferidos para clínicas de tratamento. Logo depois voltaram para a cracolândia.

A operação originalmente ocorreria após a abertura do Complexo Prates, um centro de atendimento com capacidade para 1,2 mil usuários de drogas. Isso aconteceria em fevereiro. No sábado (7) o prefeito Gilberto Kassab havia negado essa tese e afirmou não saber que a ação tinha sido adiantada.

Enquanto isso, pequenos grupos de usuários vão em direção ao centro da capital e quando se juntam são dispersados pela polícia com bombas de efeito moral. Isso dá ao até então problema social um ar de guerra: agora serão quase 300 policiais, além de 117 carros, 26 motos e bicicletas, 40 cavalos, 12 cães farejadores e o helicóptero Águia.

Essa ação cada vez mais suntuosa teve resultado modesto: apreensão de 0,447kg de crack. Três mil abordagens policiais com 51 detidos, dos quais 28 eram foragidos. E do total de 788 abordagens de agentes da saúde, apenas 33 foram encaminhadas para serviços de saúde e outras 28 foram internadas.

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