sábado, 8 de dezembro de 2012

A Nokia e o mercado de celulares inteligentes

Quando a Nokia anunciou sua parceria com a Microsoft, o mercado se assustou. A Nokia, até então uma gigante em decadência na telefonia móvel, colocou suas fichas em um sistema novo: o Windows Phone 7.5. Surpresa aqui, espanto ali, desdém e piadas entre os apaixonados pela maçã e entre os fanáticos pelo robozinho verde.


A estratégia deu certo, mas só para a Microsoft que viu o número de usuários de seu sistema aumentar. Do lado da Nokia, a realidade é outra: a empresa, entre outras coisas, teve prejuízo financeiro na casa dos bilhões de dólares, perdeu mercado para a Samsung, demitiu funcionários e vendeu a sede na Finlândia, passando a morar de aluguel no prédio que um dia foi dona.


Stephen Elop, atual CEO da Nokia, ainda não conseguiu tirar a empresa do buraco e aumenta a pressão para que ele apresente bons resultados com a aliança estratégica com a Microsoft, o que é natural. Tal pressão pode significar a queda de Elop no médio ou longo prazo. O que também seria natural.

O que falta é a Nokia entender que seu nome é um grande ativo, apesar de arranhado em virtude dos últimos resultados negativos. A empresa já afirmou que tem planos caso a parceria com a Microsoft não vingue. Será que se isso acontecer finalmente veremos um Nokia com Android? A expectativa para isso é grande, os fãs de Nokia já tiveram contato com o robozinho e viram os potenciais do sistema. E muitos se apaixonaram e estão hoje vivendo em outros braços, principalmente no da Samsung.

Um aparelho Nokia com Android seria bastante significante no mercado. A empresa é reconhecida por seus usuários por fabricar celulares potentes, com bom hardware e isso ajudou a finlandesa a ganhar mercado na época do Symbian. O mundo ainda está polarizado entre Android e iOs: um é questão de status e o outro é por estar associado com uma gigante grife tecnológica. Essa importância faz até os vendedores dividirem os aparelhos entre com e sem Android. Estratégia de marketing? Talvez.

A união de um hardware potente com uma grife poderosa seria positiva para todos os envolvidos. E aqui e ali os fãs da Nokia comentam sobre essa possibilidade. Seria um sonho para muitos. Os celulares da Samsung são muito bons em vários aspectos, mas ainda falta uma experiência de usuário que só a Nokia soube oferecer desde sempre. Ou seja, falta ter um celular que seja fácil de operar e amigável para todos usuários em vários sentidos.

O Windows Phone tem potencial, mas os desenvolvedores ainda não se mostram entusiasmados. Isso atrapalha a evolução do sistema, impedindo de ganhar mercado. Os aplicativos fazem todo o diferencial. O iOS está presente em apenas um smartphone e no mundo tem mais mercado que o Windows Phone, tudo porque o primeiro tem uma loja mais robusta que o segundo. E a Nokia só arriscou a usar o novo por causa de uma relação de amizade: Elop é ex-funcionário da Microsoft.

O mercado de telefonia cada vez mais aponta para três tipos de foco: os celulares modestos (aqueles que apenas fazem ligações), os smartphones e os sistemas operacionais (SO) para celulares inteligentes. Telefones e SO precisam estar separados e as empresas responsáveis pela fabricação dos aparelhos não devem se prender a este ou aquele fabricante. A Samsung é a principal parceira do Android hoje, mas se a Nokia com toda a sua experiência adotasse o robozinho o quadro poderia ser bem diferente em pouco tempo. Essa regra não vale no caso da Apple, que criou uma legião de fanáticos, nem para a Motorola, que é do Google, a dona do Android. Mas nos dois casos a história é outra e pode virar assunto para outro post.

Entretanto, a Nokia é a principal parceira do Windows Phone e, sem a participação do falecido Symbian, ainda se faz presente de forma modesta no mercado. A empresa espera mudar este cenário com os novos aparelhos com Windows Phone 8 e com a evolução do 7.5, chamada de 7.8, que deve chegar a todos os aparelhos com a atual versão além de novos aparelhos com configurações mais modestas. O Nokia 920 vem aí com bastante potencial para começar a virar o jogo. Ou pelo menos tentar.

Só resta esperar e conferir se o gigante finlandês está adormecido ou se Elop já está chamando a ambulância para levar a Nokia para a UTI. Os acionistas estão de olho e querem ver a crise da companhia ser estancada. E se o atual CEO não parar a hemorragia interna e externa, a solução vai ser mudar o enfermeiro chefe e, quem sabe, teremos um robozinho verde com Pureview, o principal lançamento recente da Nokia, responsável por melhorar as qualidades das imagens registradas pelos smartphones.

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