domingo, 19 de maio de 2013

Você é o que come


POR PAULA LIRA*

Não tem jeito. A gente só percebe que a coisa está feia, quando nos vemos rolando do topo de uma escada. Não literalmente, mas sabe aquele momento em que você se sente redonda a ponto de explodir. Retenção de líquido, inchaço, tpm ou gordura mesmo. A verdade é que essa sensação é tão real, que se tem vontade de ir correndo para a academia ou decretar que nunca mais irá comer na vida.

É fato, que o Brasil está aos poucos se tornando um “país com excesso de peso”, para não dizer “gordo” e de acordo com os dados do IBGE 50,1% dos homens e 48% das mulheres estão acima do peso. Junto com todos esses quilos vêm o colesterol, a diabetes, os problemas cardíacos, além do risco de um acidente vascular cerebral (AVC). Culpe a falta de tempo e de recursos, mas confesse: quem não se acostuma com uma refeição rápida e suculenta? Culpe a preguiça crônica, o sono eterno, o trabalho bendito ou chefe bacana. Mas a realidade é que é você, e apenas você que escolhe o que e o quanto comer. E se as nossas escolhas definem o que nós somos... Então você é o que come!

Os otimistas pensarão “Ui então sou bem gostoso e suculento, irresistível até!”. No entanto, muitas vezes nos esquecemos que aquele pneuzinho que tanto nos incomoda não atrapalha só os seus planos de usar aquela blusinha branca de cetim, o seu jeans preferido ou a saia longa elegante, mas principalmente a sua saúde física e mental. Primeiro vem o cansaço, depois a falta de disposição, e o sonho de começar aquela aula de zumba fitness ou o treino puxado na esteira começa a ficar cada vez mais longe.

Todo mundo tem o seu momento de renovação e mudança, que vem das mais diferentes formas. Pode ser no topo da escadaria, quando as roupas não entram mais ou quando se tem a descoberta de seus verdadeiros quilos. A balança. Tão amiga e confiável, que pode levar lágrimas aos seus olhos, principalmente, quando se fica muito tempo sem visitá-la. Esse é claro, foi o meu caso. Mas o que eu poderia esperar depois de meses comendo todas as opções de comida congelada e macarrão instantâneo?

O nosso tão companheiro sal, que está presente do refrigerante ao shampoo, é composição obrigatória desses produtos industrializados, junto com todos os seus corantes e conservantes, ajuda a aumentar a pressão e a reter líquidos, e até causando reações alérgicas, nos deixando a cada dia, mais parecidos com a bolha assassina. (quem se lembra do filme?)

Quando se chega nesse nível de percepção só resta um caminho a seguir: exercícios físicos, reeducação alimentar – nada daquelas dietas que aparecem nas revistas-, exames médicos e muita, mas muita força de vontade e disciplina. Se não encarar como o fim do mundo e conseguir voltar à calma toda vez que estiver se desesperando ao ponto de atacar o funcionário do Mc, as mudanças de hábitos poderão se tornar divertidas, e poderá até dizer que “Ui sou gostoso, suculento, irresistível, mas acima de tudo, saudável!”

Paula Lira é jornalista*

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