Os
computadores evoluíram para os notebooks, netbooks, ultrabooks, tablets e smarthfones,
te levando a viver cada vez mais 24 horas por dia conectado. Seja no banho, no
jantar, no metrô ou no cinema, sempre haverá um celular tocando e pessoas
conversando horas a fio, sobre a tia doente, a herança de família ou tendo
aquela DR básica.
Uma
vez em um ônibus de viagem, durante as longas duas horas e meia até Peruíbe,
ouvi uma senhora atrás de mim contando toda a saga de brigas e discussões que
uma tal herança gorda estava causando em sua família. Para quem gostaria de
dormir durante a viagem, fiquei imaginando que dependo da pessoa que ouvisse a
conversa, poderia chantageá-la com todas as informações que ela passava ou até
mesmo aplicar um belo golpe.
Não
se pode negar que a tecnologia, os celulares e computadores encheram nossa vida
de praticidade, porém existe sempre um preço a pagar pela modernidade.
Antigamente, abrimos mão de aldeias indígenas e florestas virgens para construir
estradas e ferrovias. Hoje, abrimos mão da qualidade de vida para sermos cada
vez mais parecidos com robôs. São tantos aparelhos, penduricalhos e conecções. Tantos sms, whats apps, chats e bate-papo. Há
tanto o que se falar, mas tão pouco o que se ouvir.
Eu,
particularmente, fui da época em que se aprendia a digitar com máquina de
escrever, mandava cartas para as amigas que moravam longe, que para deixar a
mãe tranquila, dava dois toques a cobrar do orelhão quando chegava ao curso de
espanhol e recorria ao bom e velho 9090 em caso de emergência. Não havia a
preocupação de desligar o toque do celular no cinema e nem que no meio de uma
tarde de compras, alguém viesse atrapalhar com conversas ou cobranças ou até
mesmo trabalho fora de hora.
Só
fui ter computador em casa aos 16 anos e com o início da faculdade e as longas
viagens de fretado fui obrigada a aceitar a companhia de um celular, que ficava
escondido na bolsa. É claro que com o passar do curso e do trabalho, eles se
tornaram indispensáveis, porém não há nada melhor do que a sensação de
liberdade, quando não carrego meu celular e nem fico presa a um computador. Então,
fora de plantões e longe do trabalho, me dou ao luxo de largar o celular em
casa e não ligo o notebook, nem para aquela olhadinha rápida nas redes sociais.
E com isso, pude ter a chance de conhecer novos lugares e fazer trilhas, sem me
preocupar com o sinal da operadora, assistir filmes e até ter longas e
profundas conversas com amigos e familiares, sem ser interrompida.
Como
bem disse Albert Einstein uma vez, “temo o dia em que a tecnologia se
sobreponha à humanidade. Então o mundo terá uma geração de idiotas”, não que a
tecnologia cause isso, mas não consigo deixar de sorrir quando vejo uma pessoa com
um livro no metrô ao invés de estar pendurada a um celular. De qualquer forma,
precisamos nos lembrar de que toda escolha tem uma consequência, não observamos
mais o mundo ao nosso redor, porque estamos focados demais dentro do nosso próprio
mundo, que nos deixa cada vez mais sedentários, acima do peso, estressados e
doentes, um mundo que não é natural e que não dorme nunca.

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