domingo, 12 de maio de 2013

A arte de desligar


Os computadores evoluíram para os notebooks, netbooks, ultrabooks, tablets e smarthfones, te levando a viver cada vez mais 24 horas por dia conectado. Seja no banho, no jantar, no metrô ou no cinema, sempre haverá um celular tocando e pessoas conversando horas a fio, sobre a tia doente, a herança de família ou tendo aquela DR básica.

Uma vez em um ônibus de viagem, durante as longas duas horas e meia até Peruíbe, ouvi uma senhora atrás de mim contando toda a saga de brigas e discussões que uma tal herança gorda estava causando em sua família. Para quem gostaria de dormir durante a viagem, fiquei imaginando que dependo da pessoa que ouvisse a conversa, poderia chantageá-la com todas as informações que ela passava ou até mesmo aplicar um belo golpe.

Não se pode negar que a tecnologia, os celulares e computadores encheram nossa vida de praticidade, porém existe sempre um preço a pagar pela modernidade. Antigamente, abrimos mão de aldeias indígenas e florestas virgens para construir estradas e ferrovias. Hoje, abrimos mão da qualidade de vida para sermos cada vez mais parecidos com robôs. São tantos aparelhos, penduricalhos e conecções.  Tantos sms, whats apps, chats e bate-papo. Há tanto o que se falar, mas tão pouco o que se ouvir.

Eu, particularmente, fui da época em que se aprendia a digitar com máquina de escrever, mandava cartas para as amigas que moravam longe, que para deixar a mãe tranquila, dava dois toques a cobrar do orelhão quando chegava ao curso de espanhol e recorria ao bom e velho 9090 em caso de emergência. Não havia a preocupação de desligar o toque do celular no cinema e nem que no meio de uma tarde de compras, alguém viesse atrapalhar com conversas ou cobranças ou até mesmo trabalho fora de hora.

Só fui ter computador em casa aos 16 anos e com o início da faculdade e as longas viagens de fretado fui obrigada a aceitar a companhia de um celular, que ficava escondido na bolsa. É claro que com o passar do curso e do trabalho, eles se tornaram indispensáveis, porém não há nada melhor do que a sensação de liberdade, quando não carrego meu celular e nem fico presa a um computador. Então, fora de plantões e longe do trabalho, me dou ao luxo de largar o celular em casa e não ligo o notebook, nem para aquela olhadinha rápida nas redes sociais. E com isso, pude ter a chance de conhecer novos lugares e fazer trilhas, sem me preocupar com o sinal da operadora, assistir filmes e até ter longas e profundas conversas com amigos e familiares, sem ser interrompida.

Como bem disse Albert Einstein uma vez, “temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à humanidade. Então o mundo terá uma geração de idiotas”, não que a tecnologia cause isso, mas não consigo deixar de sorrir quando vejo uma pessoa com um livro no metrô ao invés de estar pendurada a um celular. De qualquer forma, precisamos nos lembrar de que toda escolha tem uma consequência, não observamos mais o mundo ao nosso redor, porque estamos focados demais dentro do nosso próprio mundo, que nos deixa cada vez mais sedentários, acima do peso, estressados e doentes, um mundo que não é natural e que não dorme nunca. 

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