Esportes olímpicos

Mesmo com medalhas e reconhecimento, esportista olímpico também tem que pedir esmola para conseguir treinar no Brasil.

Salve Jorge

A novela de Glória Perez ainda sofre com a saudade de parte do público das aventuras e brigas de Carminha e Nina em Avenida Brasil.

O dia em que o metrô sorriu

Era daqueles dias em que se está pronto para matar ou morrer, tudo para conseguir um espaço, um assento ou uma passagem.

Biografia definitiva?

As pedras do meio do caminho, vividas pelo biografado, são instantes que a vida capta e transpõe para ações possíveis de serem contadas.

Demissões de jornalistas

Ninguém quer perder uma equipe de profissionais competentes e alguém tem que fazer o papel de advogado do diabo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O dia em que o mundo não acabou mais uma vez


O fatídico dia 21 de dezembro de 2012 chegou, passou e nada aconteceu. E não foi dessa vez que o mundo acabou mais uma vez. Na verdade essa foi apenas mais uma profecia de fim de mundo que não se concretizou. Sempre surgem profecias apocalípticas referentes ao fim dos tempos e ao julgamento final bíblico.

A revista Time fez em 2011 um top 10 com as falsas profecias do fim do mundo. O jornal português Diário de Notícias fez uma compilação bastante interessante delas em maio de 2011 e que, apesar da data de publicação, se mostra oportuna e, portanto, reproduzo abaixo:
Uma das mais conhecidas, diz a revista norte-americana, é a de William Miller. Em 1840, começou a dizer que o mundo ia acabar e Cristo regressaria, prevendo um grande incêndio entre 21 de Março de 1843 e 21 de Março de 1844. Quando a data passou, disse que afinal era até Outubro. O fim nunca chegou, mas os seus seguidores formaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Esta também não é a primeira vez que Camping erra a previsão. Antes, tinha estabelecido a data do fim do mundo como sendo 6 de Setembro de 1994. As suas previsões são sempre baseadas em cálculos a partir de acontecimentos da Bíblia.

A profecia de 2012 já fez correr muita tinta. Baseia-se no calendário maia, que termina a 21 de Dezembro de 2012. Mas há também quem acredite que no próximo ano a Terra vá colidir com um planeta, apelidado Nibiru, ou ser sugada por um buraco negro.

Outro profeta norte-americano foi William Branham, da igreja pentecostal. Depois de dizer que recebeu a visita de sete anjos, em Fevereiro de 1963, indicou que o fim do mundo seria em 1977. Mas não viveu para assistir a esse dia. Morreu em 1965, depois de um acidente de carro.

A lista da 'Time' continua com os anabaptistas de Munster (protestantes alemães) do século XVI e segue com uma série de livros sobre profecias do fim do mundo. Lembra ainda o famoso Y2K (segundo o qual todos os computadores seriam destruídos na passagem do milénio) e a seita Branch Davidians, da América dos anos 1990.

Finalmente, a revista recorda todas as falsas profecias das Testemunhas de Jeová, que agora se limitam a dizer que o fim do mundo está para breve sem estabelecer data, e o grande incêndio de Londres de 1666, sendo que "666" é o "número da Besta".
A lista, na verdade, é imensa! Um texto do jornalista e escritor Gilberto Schoereder publicado em uma revista no ano de 2008, mostra que essa história começou cedo, no ano 30 e de lá para cá várias histórias surgiram "profetizando o fim do mundo". E são apenas alguns exemplos.

Após o fiasco de 2012 a próxima é em 2029, quando a Terra deve se chocar com um asteróide. Ou seja, temos ainda uma "sobrevida" de 17 anos: tempo suficiente para novas teorias surgirem e novos finais apocalípticos serem anunciados! E se 2029 fracassar, os apaixonados pela teoria do armagedom profético não precisam se preocupar pois em 2060 tem mais um, dessa vez previsto pelo físico Isaac Newton.

Isso, é claro, se o mundo existir até lá pois ele pode acabar no meio do caminho e sem avisar ninguém!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Governo prorroga IPI mais uma vez: agora vai até junho de 2013

Boa notícia: o governo prorrogou mais uma vez a alíquota mais baixa do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis, automóveis, e itens da chamada linha branca como fogões, geladeiras, máquinas de lavar e tanquinhos. A isenção venceria em dezembro de 2012, mas foi prorrogada por mais seis meses, até junho de 2013. Até lá, o IPI será aumentado gradualmente até atingir novos patamares, em alguns casos menores que o original.

De acordo com dados do Ministério da Fazenda, a medida fará o governo vai deixar de arrecadar R$ 2,63 bilhões em 2013, sendo que R$ 550 milhões só na linha branca e, no caso dos móveis, R$ 650 milhões.

Na prática significa dizer que comprar os itens listados continuará mais barato, pelo menos até junho. Em alguns casos, o preço aumenta. Ou seja, quem pretende trocar eletrodomésticos da linha branca, carros e móveis deve se apressar e aproveitar as liquidações de janeiro.

Por outro lado, a redução do IPI foi uma das medidas mais acertadas da política econômica em 2012. Ponto para a Dilma. Promoveu a manutenção da economia, permitiu que fábricas realizassem contratações e, o que é melhor, economizou de energia pois equipamentos antigos foram trocados por mais novos que gastam menos eletricidade.

Isso é bom principalmente para o consumidor, que efetivamente é o responsável por paga a conta. Sempre.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Compras de fim de ano exigem cautela

Chega o fim de ano e o espírito natalino ajuda a aumentar a bondade. E também as dívidas. São vários amigos secretos, presentes para a família, itens para a ceia, viagens, sem deixar de lado a roupa nova e sapatos novos para o ano novo.

Para os amigos mais chegados, presentes melhores e mais caros. E nessa seleção mora um perigo! Ao invés de gastar o que tem naquele momento, muita gente empurra a dívida para o próximo ano e parcela a lembrança em 10, 12, 18 vezes. Ou seja: até o próximo Natal ela estará com um compromisso mensal inadiável que pode se somar a outros e acabar complicando a saúde financeira individual e até mesmo familiar.


O Serasa Experian faz um alerta: é melhor ter cautela e planejamento para que o consumidor não comprometa ainda mais a sua renda, evitando assim o superendividamento. Segundo a entidade, acumular dívidas envolve maior incerteza no futuro e perigo de perder o controle do que tem a pagar. Assim, evitar prazos longos de financiamento é uma saída inteligente. Pode até parcelar, mas não a perder de vista.

Outra dica é pesquisar preços, condições e ficar de olho nas famosas promoções e liquidações de janeiro, principalmente naquelas que começam de madrugada e são realizadas com o intuito de limpar estoques. Os descontos são atrativos no período e alguns itens novos para a casa como geladeira ou televisão, por exemplo, podem esperar um pouco. Nesse caso, se o consumidor optar por um parcelamento de médio ou longo prazo o importante é planejar o pagamento para evitar sustos.

Afinal, cautela na hora da compra e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Brasil registra "black friday" de mentirinha

No Brasil é comum o lançamento de versões de qualidade duvidosa de alguns modismos estrangeiros. Isso acontece em diversos mercados e o mundo da música teve um exemplo recente com a versão do Latino para a canção Gangnam Style.

E parece que essa mania de copiar e adaptar chegou ao varejo. Ao ser convertido para uma versão brasileira, o conceito de Black Friday, que poderia ser chamada de sexta-feira negra,  também foi adaptado. Ao invés de descontos, tivemos maquiagem. Todo mundo achou que estava fazendo um bom negócio, mas não foi bem assim.

A campanha virtual prometia descontos de 40% a 50% e aconteceu no dia 23 de novembro, mas a redução dos preços não foi sentida. As reclamações nas redes sociais eram de preços iguais aos praticados nos dias anteriores e, o que é pior, reajuste nos valores dos itens. Agora, mais do que reclamações são os números que comprovam que a sexta-feira negra não foi tão escura assim.

Uma pesquisa feita pelo Programa de Administração de Varejo (Provar) aponta aquilo que muita gente viu na prática e comentou pela internet. Foram analisados 1728 produtos e quase metade deles, ou 47,5%, não teve nenhuma alteração no preço. Nem antes, nem depois da "black friday".

Além disso, alguns valores subiram 8,5% nos dias 21 e 22 de novembro e o dia da prometida promoção registrou alta de 0,06% na média. A pesquisa conclui também que não é possível afirmar que houve de fato uma promoção que seguisse à risca a proposta da Black Friday.

Ou seja, tivemos "black friday" de mentirinha. Tanto que na ocasião sete redes varejistas foram multadas pelo Procon Mas a mentira tem perna curta e foi desmascarada por internautas horas depois de começar, e agora um órgão de pesquisa aponta o mesmo. Só resta saber se a black friday brasileira vai continuar a existir e ser negra apenas para os bolsos de quem compra.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O comércio eletrônico no Brasil em 2012

O Natal para o comércio virtual deve ser gordo. A estimativa é que o setor fature R$ 3,76 bilhões em 2011, aumento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado de acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

E os números não param por aí. A previsão do e-bit, empresa que estuda o setor, é que as lojas virtuais faturem R$ 22,5 bilhões em 2012. Além disso, dados da consultoria Mckinsey & Company aponta que a internet representa entre 2% e 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) de países como Brasil, Argentina e México.

A principal vantagem de comprar pela internet não são apenas os preços que, em alguns casos, são menores que as lojas físicas, mas sim a facilidade na comparação de preços. Mesmo sem usar sites especializados nesse serviço, é possível descobrir o valor de um determinado produto em várias lojas em poucos minutos. Ponto para as lojas virtuais.

Entretanto, o maior problema das lojas virtuais é a entrega. Após comprar, o consumidor precisa esperar alguns dias para ter o produto. No caso de móveis, eletrodomésticos e outros produtos de grande porte é até compreensível, mas no caso de livros, CDs, DVDs e até aparelhos celulares, tablets, entre outros, o sistema de entrega poderia ser um pouco mais eficiente. Um amigo relatou que certa vez esperou 20 dias para ter um livro em casa após comprar na internet. Ele justificou a compra pelo desconto: cerca de 50% em relação às lojas físicas.

Por causa disso, quem vai comprar os presentes de Natal pela internet deve se apressar: considerando os imprevistos como atrasos e demais problemas na hora da entrega, o prazo máximo para evitar sustos e ter o presente em mãos no dia 24 de dezembro é sexta-feira (14).

sábado, 8 de dezembro de 2012

A Nokia e o mercado de celulares inteligentes

Quando a Nokia anunciou sua parceria com a Microsoft, o mercado se assustou. A Nokia, até então uma gigante em decadência na telefonia móvel, colocou suas fichas em um sistema novo: o Windows Phone 7.5. Surpresa aqui, espanto ali, desdém e piadas entre os apaixonados pela maçã e entre os fanáticos pelo robozinho verde.

A estratégia deu certo, mas só para a Microsoft que viu o número de usuários de seu sistema aumentar. Do lado da Nokia, a realidade é outra: a empresa, entre outras coisas, teve prejuízo financeiro na casa dos bilhões de dólares, perdeu mercado para a Samsung, demitiu funcionários e vendeu a sede na Finlândia, passando a morar de aluguel no prédio que um dia foi dona.


Stephen Elop, atual CEO da Nokia, ainda não conseguiu tirar a empresa do buraco e aumenta a pressão para que ele apresente bons resultados com a aliança estratégica com a Microsoft, o que é natural. Tal pressão pode significar a queda de Elop no médio ou longo prazo. O que também seria natural.

O que falta é a Nokia entender que seu nome é um grande ativo, apesar de arranhado em virtude dos últimos resultados negativos. A empresa já afirmou que tem planos caso a parceria com a Microsoft não vingue. Será que se isso acontecer finalmente veremos um Nokia com Android? A expectativa para isso é grande, os fãs de Nokia já tiveram contato com o robozinho e viram os potenciais do sistema. E muitos se apaixonaram e estão hoje vivendo em outros braços, principalmente no da Samsung.

Um aparelho Nokia com Android seria bastante significante no mercado. A empresa é reconhecida por seus usuários por fabricar celulares potentes, com bom hardware e isso ajudou a finlandesa a ganhar mercado na época do Symbian. O mundo ainda está polarizado entre Android e iOs: um é questão de status e o outro é por estar associado com uma gigante grife tecnológica. Essa importância faz até os vendedores dividirem os aparelhos entre com e sem Android. Estratégia de marketing? Talvez.

A união de um hardware potente com uma grife poderosa seria positiva para todos os envolvidos. E aqui e ali os fãs da Nokia comentam sobre essa possibilidade. Seria um sonho para muitos. Os celulares da Samsung são muito bons em vários aspectos, mas ainda falta uma experiência de usuário que só a Nokia soube oferecer desde sempre. Ou seja, falta ter um celular que seja fácil de operar e amigável para todos usuários em vários sentidos.

O Windows Phone tem potencial, mas os desenvolvedores ainda não se mostram entusiasmados. Isso atrapalha a evolução do sistema, impedindo de ganhar mercado. Os aplicativos fazem todo o diferencial. O iOS está presente em apenas um smartphone e no mundo tem mais mercado que o Windows Phone, tudo porque o primeiro tem uma loja mais robusta que o segundo. E a Nokia só arriscou a usar o novo por causa de uma relação de amizade: Elop é ex-funcionário da Microsoft.

O mercado de telefonia cada vez mais aponta para três tipos de foco: os celulares modestos (aqueles que apenas fazem ligações), os smartphones e os sistemas operacionais (SO) para celulares inteligentes. Telefones e SO precisam estar separados e as empresas responsáveis pela fabricação dos aparelhos não devem se prender a este ou aquele fabricante. A Samsung é a principal parceira do Android hoje, mas se a Nokia com toda a sua experiência adotasse o robozinho o quadro poderia ser bem diferente em pouco tempo. Essa regra não vale no caso da Apple, que criou uma legião de fanáticos, nem para a Motorola, que é do Google, a dona do Android. Mas nos dois casos a história é outra e pode virar assunto para outro post.

Entretanto, a Nokia é a principal parceira do Windows Phone e, sem a participação do falecido Symbian, ainda se faz presente de forma modesta no mercado. A empresa espera mudar este cenário com os novos aparelhos com Windows Phone 8 e com a evolução do 7.5, chamada de 7.8, que deve chegar a todos os aparelhos com a atual versão além de novos aparelhos com configurações mais modestas. O Nokia 920 vem aí com bastante potencial para começar a virar o jogo. Ou pelo menos tentar.

Só resta esperar e conferir se o gigante finlandês está adormecido ou se Elop já está chamando a ambulância para levar a Nokia para a UTI. Os acionistas estão de olho e querem ver a crise da companhia ser estancada. E se o atual CEO não parar a hemorragia interna e externa, a solução vai ser mudar o enfermeiro chefe e, quem sabe, teremos um robozinho verde com Pureview, o principal lançamento recente da Nokia, responsável por melhorar as qualidades das imagens registradas pelos smartphones.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Frases de Oscar Niemeyer


O Brasil se despede hoje de um de seus maiores ícones, o arquiteto Oscar Niemeyer. Ele morreu no dia 5 de dezembro aos 104 anos, no Rio de Janeiro e a presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de 7 dias em todo o país. Durante o velório em Brasília, integrantes do Movimento dos Sem Terra homenagearam o arquiteto. O principal legado de Niemeyer não são as obras arquitetônicas, mas sim a luta pela democracia e pela justiça social. Para demonstrar isso, o blog apresenta hoje algumas frases do arquiteto.

"A vida não é justa. E o que justifica esse nosso curto passeio é a solidariedade"

"Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida"

"Cem anos é uma bobagem, depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela" - em entrevista no aniversário de 100 anos

"Meu trabalho não tem importância, nem a arquitetura tem importância pra mim. Para mim o importante é a vida, a gente se abraçar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar num mundo melhor. O resto, é conversa fiada."

"O arquiteto não pode sair para a vida como desenhista. Ele deve saber como se comportar diante do mundo"

"Uma mudança para melhor vai acontecer quando o homem compreender que é fruto da natureza. Que é um bicho, que nasce e morre"

"A vida pode mudar a arquitetura. No dia em que o mundo for mais justo, ela será mais simples."

"A humanidade precisa de sonhos para suportar a miséria, nem que seja por um instante."

"Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua, protestando, é que a gente transforma o país."

“Eu faço o que eu gosto. Não faço o que os outros gostariam que eu fizesse. Eu não leio nada sobre arquitetura. Prefiro ler um romance. Arquitetura é coisa pessoal, é coisa intuitiva. A gente faz porque a gente gosta de fazer”.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Querendo ou não ele era o Niemeyer

O arquiteto Oscar Niemeyer morreu aos 104 anos no dia 5 de dezembro de 2012 após ficar internado por pouco mais de um mês. Ele faleceu dez dias antes de completar o seu 105º aniversário. Ao longo de seus 104 anos, assinou quase 500 obras como a sede da Organização das Nações Unidas e o plano piloto de Brasília. Elas estão espalhadas pelas principais cidades brasileiras e em países como Estados Unidos, Líbano, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Israel e Itália.


Niemeyer é reconhecido internacionalmente por suas obras e se por um lado seu trabalho desperta admiração, por outro são comuns as críticas principalmente pelo fato de ser ateu e comunista. Ele justificava isso dizendo que foi levado a esse caminho por estar revoltado com a situação de miséria e desigualdade no mundo.

Entretanto, apesar de ateu ele projetou muitas igrejas. E fez isso afirmando que o prazer que sentia em ver uma obra religiosa bem realizada era muito menor do que a importância que dão aqueles que a frequentam.

Além disso, independente de acreditar ou não em Deus e de sua posição política, Niemeyer sempre deixou clara a sua posição político-social. Se importava com os mais pobres e chegou a dizer que a solidariedade justifica a nossa vida. Para ele não bastava fazer uma sociedade moderna mas sim mudar a sociedade.

Essa preocupação com o lado humano talvez seja a grande lição do arquiteto. O fato de ser ateu e socialista, criticado por uns e outros após sua morte, na verdade é um fator menor, quase sem importância. Aos religiosos mais fervorosos vale lembrar que o próprio Deus criou o livre-arbítrio para que pudéssemos acreditar nEle ou não.

Ou seja: querendo ou não ele era o Niemeyer.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A história da política na privada

Dois fatos recentes chamam a atenção. O primeiro faz referência ao caso Rosemary Noronha. De acordo com reportagem do dia 1º de dezembro do jornal Folha de S.Paulo, a grande influência dela no alto escalão do governo federal acontece pois ela teria uma “relação de intimidade” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O segundo aconteceu ontem (4) e também envolve o governo. A presidente Dilma Rousseff foi vaiada ao chamar as "pessoas com deficiência" de "portadores de deficiência" durante conferência em Brasília.

Em ambos os casos, postagens em redes sociais criticavam a atual presidente e o ex-presidente com associações absurdas, relacionando, no caso mais recente, tal visão a um preconceito com o Partido dos Trabalhadores. Nos dois casos, vários blogs pequenos, menores até que este espaço, republicavam textos de grandes sites noticiosos com comentários inflamados e absurdamente críticos.

Com a possibilidade de criar blogs de forma gratuita e com as redes sociais, todo mundo pode ter um espaço para reclamar e criticar. O sistema de comentários em portais de notícias também colaboram e cedem alguns caracteres para seus leitores interagirem com a publicação. Sem dúvida alguma isso é importante. Mas é importante saber sobre o que criticar e como fazer isso.

No primeiro caso, a aplicação do dinheiro público é o que deveria realmente importar. No Brasil, entretanto, cada vez mais parece que saber da vida alheia é tão ou mais importante que saber da própria realidade. Uma versão digital do sujo falar do mal lavado. No segundo caso, o desvio do foco da discussão chega a ser patético. A justificativa: o termo portador não remete a algo humano.

Na verdade pouco importa o termo e sim a política pública e a eficiência dela. O mesmo vale para o termo homossexualismo x homossexualidade. O primeiro deve sempre ser evitado por relacionar o fato de ser gay a algo patológico. E paro por aqui pois a lista de nomenclaturas que devem ser evitadas é imensa. Cada um se vale da subjetividade e define qual termo usar. E o problema parece ser justamente esse: subjetividade demais. Tanto que a discussão se perde em devaneios, propostas e ideias.

E enquanto perdemos tempo debatendo prefixos, sufixos, termos e especulando relações, o caminho do dinheiro público perde a importância e a violência moral e física começa a fazer parte do cotidiano, ganhando espaço das políticas de inclusão social, racial, sexual e tantos outros tipos que surgem a cada exposição de ideias.

E com tanto barulho que fazemos por nada, acabamos nos silenciando para o que realmente importa.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Venda de móveis cresce e a geração de lixo também

Com a aproximação das promoções de fim de ano, também chega a hora de repaginar a decoração e deixar a casa preparada para o novo ano. É quase um ritual, cumprido à risca. Vale tudo: desde um sofá ou uma estante novos a uma simples mudança de posição nos móveis.

Entretanto, cada vez mais os sofás velhos, as camas e mesas que também já tem algum tempo de uso estão sendo trocados por móveis novos. Dados do início de 2012 do instituto Data Popular mostram que os brasileiros aumentaram o valor com a aquisição de móveis em cerca de 56,8% em dez anos. Ou seja: já alcançamos o patamar de R$ 19,4 bilhões por ano em gastos com móveis novos para a casa. Se continuar assim, vem mais lixo jogado por aí.

Por um lado isso é bastante positivo. Mantém a indústria e a economia funcionando, gera empregos e oportunidades. Porém tem um impacto preocupante. A lei da física é clara: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço e muitos dos móveis descartados são abandonados nas ruas, calçadas e terrenos. O resultado: problemas!

Móveis abandonados nas calçadas impedem que os pedestres passem, eles seguem o caminho pela rua e podem ser atropelados ou atrapalham o trânsito. Além disso, um móvel jogado sempre traz outros entulhos e lixo, o que atrai animais como ratos e baratas. E quando chove a situação é ainda pior com as enchentes. Ruas alagadas, carros parados e possibilidade de contaminação por doenças como a leptospirose.

A solução é ter conscientização e descartar o móvel velho no local certo. Ou doar, revender, reusar. O descarte inadequado, além dos incômodos, também provocam gastos desnecessários nas administrações públicas e no fim todo mundo paga a conta.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Fim do ano e fim do mundo

Hoje é o primeiro dia útil do último mês do ano que pode vir a ser o derradeiro da nossa existência neste planeta. Ou não. A NASA diz que não e os maias dizem que sim, apesar de alguns cientistas afirmarem que os maias não disseram nada.

Enquanto acontece a queda de braço para decidir quem tem razão sobre o fim do mundo, o fato é que o fim do ano está aí. Para os prefeitos é hora de fazer as contas fecharem, sempre de olho na lei de responsabilidade fiscal. Para muita gente é a hora de sair do vermelho com uma ajuda do décimo terceiro salário. Ou pelo menos tentar.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que cerca de R$ 131 bilhões (o equivalente a 2,9% do Produto Interno Bruto do Brasil) devem ser injetados na economia brasileira com o pagamento do 13º salário.

A recomendação do Serasa é que esse dinheiro seja usado para saldar dívidas. De janeiro a outubro de 2012, cerca de 16 milhões de consumidores renegociaram o pagamento de contas atrasadas: aumento de 16,3% em relação ao mesmo período de 2011.

E pelo visto este número vai aumentar. A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou em outubro pesquisa que aponta um dado importante: 64% dos consumidores em todo o país pretendem utilizar o décimo terceiro de 2012, assim como nos anos anteriores, para pagar dívidas e começar 2013 no azul ou poupar e se preparar para um nova bateria de IPVAs, IPTUs, mensalidades, material escolar, e etc.

Isso, é claro, se o mundo não acabar antes. Os maias dizem que sim. A NASA nega. Mas, na dúvida, o melhor sempre é prevenir e não remediar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quem dá aos pobres às vezes realmente empresta a Deus

Estava voltando de uma reportagem quando uma mulher parou e pediu dinheiro. No início a reação foi padrão: disse que não tinha e comecei a fechar o vidro do carro. Ela se afastou do veículo e então percebi a tristeza, o sofrimento e a angústia vivida por aquela senhora: após o meu não, abaixou a cabeça e saiu em busca de uma lata vazia de refrigerante ou cerveja, que se juntaria às outras que estavam em um saco e provavelmente seriam vendidas para ela ter dinheiro. Percebi que poderia ser diferente e tirei um dinheiro do bolso e entreguei para a mulher.

Às vezes sinto como se tivéssemos criado uma blindagem que nos deixa insensíveis a estas histórias. Afinal é tão comum vermos gente pedindo esmola aqui e ali para comprar drogas e bebidas que já não sabemos mais quando o pedido é para matar a fome ou sustentar o vício. Sem falar dos casos de exploração do trabalho infantil e até mesmo nos assaltos.

Isso acontece pois a esmola dada nem sempre é de fato uma esmola emprestada a Deus: doamos com bondade, mas o destino final não é aquele que nos comoveu. E assim deixamos várias oportunidades passar, pois não acreditamos mais nas histórias que nos são contadas.

Lembro de duas histórias que me marcaram. Uma vez, um homem entrou no ônibus pedindo dinheiro para comprar remédios e comida, pois não podia trabalhar e precisava de recursos. No dia seguinte, vi o mesmo homem saindo de um cinema pornô no centro da cidade. Isso me fez refletir sobre o real uso do dinheiro que tantas pessoas deram, achando que estavam emprestando a Deus.

Em mais um caso, outro homem entrou pedindo dinheiro para completar a passagem de volta para a cidade dele. Após uma história dramática, que parece ter saído de algum folhetim, várias pessoas doaram notas de 2, 5 e uma senhora mais humilde se mostrou penalizada e deu uma nota de 10 para ele. Ele continuou pedindo, dizendo que ainda faltava um valor para completar, como se estivesse em um leilão. Quando percebeu que ninguém mais doaria, ele ficou irritado e começou a xingar. Esbravejava dizendo que precisava do dinheiro e que todos naquele ônibus tínhamos a obrigação de ajudá-lo. Isso mesmo: obrigação.

Assim, cada vez mais parecer que esmolar é um mercado lucrativo, sem impostos nem tributos e obrigações formais como previdência e nota fiscal. O trabalho pode ser realizado em qualquer esquina ou ônibus. Em qualquer bar ou posto. Basta encontrar alguém com bom coração e crente no fato de que dar esmola de fato é agir com caridade.

E às vezes de fato o é. Entretanto, cada vez mais estamos sem conseguir discernir entre o oportunismo e a necessidade. Em alguns casos o primeiro se disfarça do segundo e a indecisão se instala de um jeito tão grande que é mais fácil fechar a janela do carro e ir embora.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Os royalties do petróleo e a educação


A presidente Dilma Rousseff mudou as regras de distribuição dos royalties do petróleo de Campos. Além disso, também definiu que todos os royalties dos futuros contratos serão destinados à educação. Sábia decisão e com efeito prático no longo prazo.

Um país em crescimento precisa de gente para continuar empurrando a alavanca no futuro. Ou caso contrário, como na esquadrilha da fumaça, o avião que subia começa a cair em queda livre e próximo ao chão percebe que não tem freio. E aí vem a crise!

Para evitar isso é preciso educação, a base. A educação é o alimento do progresso, é o ar que as narinas do desenvolvimento inspiram e expiram. Estimular a educação é olhar o hoje e preparar o amanhã. É seguir à risca o que diz a bandeira: ordem e progresso.

Não bastam políticas de benefícios sociais. Elas só dão o peixe. É preciso ir além "do dar o peixe e do ensinar a pescar" e mostrar que a vara serve para retirar o alimento da água, como fazer para se alimentar e qual animal pode ser comido.

Sem isso, corre-se o risco de continuar pescando de maneira errada e, o que é pior, comendo e engolindo os frutos venenos oriundos da falta de educação e que tanto assombra o mundo moderno como a violência, a fome e a miséria.